Alecsandra Matias de Oliveira
ABCA/São Paulo
Resumo: O texto analisa como, na arte contemporânea, o sexo ultrapassa o espetáculo e se torna linguagem crítica, capaz de produzir sentido, interpelar o público e revelar tensões sociais. O corpo é tratado como dispositivo político e simbólico, expondo normas, violências e desejos. A obra de Alex Flemming é destacada como exemplo dessa abordagem: desde os anos 1970, o artista explora o corpo como superfície de inscrição e território de afetos, utilizando o erotismo como elemento estético e político. Sua produção articula texto e imagem, fragmentação e intensidade cromática, transformando o sexo em operador crítico que denuncia repressões, afirma novas formas de desejo e identidade, e expõe o corpo como arena simbólica. Em síntese, Flemming mostra que o sexo, longe de ser mera ilustração, é um território político, estético e simbólico fundamental para compreender a densidade e relevância de sua arte.
Palavras-chave: corpo; erotismo; identidade; arte contemporânea; Alex Flemming.
Abstract: The text analyzes how, in contemporary art, sex goes beyond spectacle and becomes a critical language, capable of producing meaning, engaging the audience, and revealing social tensions. The body is treated as a political and symbolic device, exposing norms, violence, and desires. The work of Alex Flemming is highlighted as an example of this approach: since the 1970s, the artist has explored the body as a surface of inscription and a territory of affects, using eroticism as both an aesthetic and political element.
Keywords: body; eroticism; identity; contemporary art; Alex Flemming.
BIO
Alecsandra Matias de Oliveira
Doutora em Artes Visuais pela ECA-USP e possui pós-doutorado na mesma área pela UNESP. Mestre pela ECA-USP e bacharel e licenciada em História pela FFLCH-USP, atua como crítica de arte e curadora independente. Atualmente, é professora na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e no CELACC (ECA-USP). Pesquisadora do Centro Mario Schenberg de Documentação e Pesquisa em Artes. É membro da Associação Internacional de Crítica de Arte (AICA) e colabora com diversas publicações, como o Jornal da USP e a revista Dasartes. Além disso, é editora de Arte/História na Revista Arte & Crítica e autora dos livros Schenberg: Crítica e Criação (EDUSP, 2011) e Memória da Resistência (MCSP, 2022).