Prêmio ABCA 2026 anuncia vencedores e reafirma papel político da crítica diante das transformações do sistema da arte

A Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) divulga hoje, dia 25 de maio, o resultado do Prêmio ABCA 2026, reconhecimento anual que, desde a década de 1970, acompanha e registra movimentos decisivos das artes visuais no país. Nesta edição, o conjunto dos premiados evidencia uma grande diversidade de nomes, práticas, territórios e instituições em destaque em 2025.

Entre artistas, pesquisadores, curadores, instituições, espaços independentes e iniciativas de mediação e difusão, a seleção aponta para uma cena mais descentralizada e atenta ao fortalecimento de redes fora dos grandes centros tradicionais.

A presidente da ABCA, Alessandra Simões Paiva, destaca que o resultado reflete um maior amadurecimento do processo de escolha do prêmio. “Existe um esforço contínuo para que mais pessoas se envolvam internamente, proponham nomes e compreendam o prêmio como um instrumento vivo de debate sobre o campo da arte.” A proposta é que no segundo semestre possam ser feitas rodadas de conversa online com todos os associados sobre a metodologia do prêmio.

Para Alessandra, a crítica deve funcionar não apenas como mecanismo de consagração, mas como espaço de tensionamento e fortalecimento do debate público. “Precisamos incentivar o fortalecimento da ABCA em uma época em que as instituições culturais públicas estão cada vez mais desacreditadas. Somos uma das mais antigas e maiores associações de críticos do mundo”, pontua Alessandra, lembrando que a ABCA, integrante de Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), completou 77 anos de atividade, contando atualmente com 180 associados espalhados em todas as regiões do país.

Ao lado desses movimentos de renovação, o prêmio também reafirma sua dimensão de reconhecimento de trajetórias já consolidadas no campo das artes visuais brasileiras, compondo um panorama em que diferentes gerações e formas de atuação convivem e se atravessam. Isto pode ser visto na presença de nomes historicamente ligados à formação institucional do sistema da arte no país.

A cerimônia da premiação será no dia 27 de agosto, às19h, no Teatro Antunes Filho, Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O troféu está sendo criado pela artista Mônica Ventura, que terá sua primeira individual – Antes da forma, o encanto – inaugurada amanhã, terça-feira (dia 26), na Galeria Nara Roesler. A peça (que será mostrada apenas no dia do evento) refletirá a poética da artista, fortemente ancorada em aspectos construtivistas e tridimensionais e na reinterpretação de elementos culturais pré-coloniais, como a arquitetura e as técnicas de trabalhos manuais dos povos afro-ameríndios. A cerimônia será aberta ao público e conta com a produção da equipe do Sesc, parceiro que há muitas edições apoia o prêmio ABCA.

Vencedores do Prêmio ABCA 2026

Prêmio Gonzaga Duque – crítica associada por atuação ou publicação de livro

Priscila Arantes

Prêmio Mário Pedrosa – artista contemporâneo

Gê Viana

Prêmio Ciccillo Matarazzo – personalidade atuante no meio artístico

Renata Bittencourt

Prêmio Sérgio Milliet – pesquisa publicada

Cristiana Tejo – A gênese da curadoria no Brasil (Propágulo)

Prêmio Mário de Andrade – crítica de arte pela trajetória

Sônia Salzstein

Prêmio Clarival do Prado Valladares – artista pela trajetória

Marlene Almeida

Prêmio Maria Eugênia Franco – curadoria de exposições

Bitu Cassundé – Luiz Braga: Arquipélago Imaginário (Instituto Moreira Salles, São Paulo)

Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade – instituição por sua programação

Centro Cultural do Cariri

Prêmio Antônio Bento – difusão das artes visuais na mídia

Projeto Afro

Prêmio Paulo Mendes de Almeida – melhor exposição do ano

Maria Bonomi: A arte de amar, a arte de resistir/Curadoria: Paulo Herkenhoff e Maria Helena Peres/Paço Imperial (Rio de Janeiro)

Prêmio Emanoel Araújo – coleção, acervo, conservação e documentação histórica

Fundação Museu do Homem Americano – Parque Nacional da Serra da Capivara

Prêmio Yêdamaria – ações educativas e de mediação

Galpão Bela Maré / Observatório de Favelas da Maré (Rio de Janeiro)

Prêmio Gilda de Melo e Souzacríticos/as, em início de carreira, independentemente da idade, por sua produção, ou engajamento em projetos inovadores de divulgação da crítica de arte

Juliana Crispe

Reconhecimentos regionais

Centro-Oeste — FARGO – Feira de Arte de Goiás

Nordeste — Galeria Amparo 60 (Recife, PE)

Norte — Paula Sampaio

Sudeste — Ateliê 397

Sul — Fundação Vera Chaves Barcellos

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