Priscila Arantes
ABCA/São Paulo
Resumo: O texto apresenta a exposição “Venenosas, Nocivas e Suspeitas”, da artista brasileira Giselle Beiguelman, que resgata a memória de plantas estigmatizadas ou proibidas pelo colonialismo, articulando botânica, saberes ancestrais, arte e tecnologia. A mostra revisita o papel de mulheres historicamente silenciadas – curandeiras, cientistas, artistas e sacerdotisas – reposicionando-as como guardiãs de conhecimentos apagados pelas narrativas hegemônicas. Por meio de jardins, retratos produzidos com inteligência artificial, video-ensaios e metáforas visuais como os micélios, a exposição evidencia tensões entre memória colonial e contramemória, propondo uma ética feminista e não antropocêntrica. Mais do que uma exposição sobre plantas, é um convite à escuta e ao cuidado, compreendidos como práticas políticas de resistência capazes de abrir espaço para outras formas de existência.
Palavras-chave: Botânica; memória; colonialismo; inteligência artificial; resistência.
Abstract: The text discusses the exhibition “Venenosas, Nocivas e Suspeitas” by Brazilian artist Giselle Beiguelman, which explores the histories of plants banned or stigmatized by colonialism, connecting botany, ancestral knowledge, art, and technology. The show revisits the contributions of women historically silenced – healers, scientists, artists, and priestesses – positioning them as guardians of erased knowledge. Through gardens, AI-generated portraits, video essays, and visual metaphors such as mycelium networks, the exhibition highlights the tensionsbetween colonial memory and counter-memory, advancing a feminist and non- anthropocentric perspective. More than an exhibition about plants, it is an invitation to listening and care, understood as political practices of resistance capable of opening space for other forms of existence.
Keywords: otany; memory; colonialism; artificial intelligence; resistance.
BIO
Priscila Arantes
Priscila Arantes é curadora, crítica de arte, escritora, pesquisadora e gestora cultural. É professora do Departamento de Artes e diretora adjunta da FAFICLA (Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC/SP). Integra o grupo de pesquisa Acervos Digitais e Pesquisa: Arquitetura, Design e Tecnologia e é líder do grupo de pesquisa Interfaces Críticas: Arte, Design e Memória. Entre seus livros destacam-se Arte@Mídia: reescrituras da estética digital, Reescrituras da arte contemporânea: história, arquivo e mídia, dentre outros. Entre 2020 e 2023 integrou a vice-presidência da ABCA. Foi curadora-chefe e diretora cultural do Paço das Artes (2007 a 2020), curadora do MIS (2009 a 2011) e pesquisadora-colaboradora do MAC/USP (2020 a 2023).