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Memória da Crítica

O questionamento de Jorge Ramos sobre o exercício da profissão de crítico de arte

João Vítor Oliveira*

A relação entre críticos e artistas nem sempre é das mais amistosas.

A coluna Memória da Crítica desta edição volta a 1968 para trazer à tona uma questionadora carta de Jorge Ramos endereçada ao presidente da ABCA à época.

No telegrama, fica evidente o descontentamento e as dúvidas do artista para com os critérios dos críticos de arte, principalmente no que tange à seleção de obras para bienais.

Dirigindo-se aos que chama de “legisladores das artes” – talvez com um quê de ironia –, Ramos aponta algumas contradições que observa no exercício da profissão de crítico de arte e, diante do que classifica como um “confuso estado de coisas”, levanta quatro questionamentos: 1) Qual é o objetivo dos Salões Oficiais de Artes Plásticas no Brasil?; 2) Há intenção de incentivar e orientar o artista nacional na formação de sua pintura para tornar acessível ao público esse decantado processo histórico?; 3) O que é a Bienal Internacional de São Paulo em relação aos demais salões do país?; 4) Que ordem de valores poderá se estabelecer: concursa-se os salões nacionais com vistas à Bienal ou concursa-se a Bienal Internacional como preparação aos salões nacionais?.

Ressaltando que os questionamentos não têm por motivação ressentimentos pessoais, ele aponta que não parece justo um artista dispender suas economias para enviar suas obras aos salões nacionais distantes e, no final, ser rejeitado sem que se aponte quaisquer razões ou princípios para tal rejeição. E acrescenta: “Quando nada, convém lembrar que o artista distante não goza das facilidades e prerrogativas com que são agraciados os integrantes do júri. O pintor não ganha, priva-se para participar”.

Depois dessa, fica a curiosidade de saber qual foi a resposta à carta – que, infelizmente, não consta no arquivo da ABCA.

*João Vitor Oliveira atuou como bolsista no projeto “Arte e Crítica: Construindo a Informação Online” durante o período de agosto de 2015 a agosto de 2016, sob a orientação de Lisbeth Rebolo Gonçalves. É graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

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EDIÇÃO 39

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