n° 40 – Ano XIV – Dezembro de 2016  →   VOLTAR

Exposição

Maurizio Catellan: arte que tensiona…

A obra L’Hai Visto do artista italiano leva a um imaginário coletivo, a uma reflexão sobre a dimensão social e cultural da natureza do nosso mundo frágil atual

Neide Marcondes – ABCA / São Paulo

Nietzche chorou e abraçou
um cavalo na Via Pó
em Turim quando o animal
estava sendo chicoteado pelo
seu dono. Interrompeu seu
passeio às margens do rio Pó
e em prantos agachou-se junto
ao cavalo consolando-o e acariciando-o.

Castello de Rivoli, Turim   2016 – Esta cena veio-me à mente quando visitei a exposição no Museu de Arte Contemporânea Castelo de Rivoli, em Turim. Lá estava uma obra icônica da escultura, já exposta em Pádua, do artista italiano Maurizio Catellan.

Maurizio Catellan: natureza morta. Foto: divulgação

Uma obra de arte é como um texto filosófico que chama à reflexão sobre o mundo e sobretudo em nossa emoção. De figuração realista consiste em um cavalo massificado/mumificado, sua cabeça está arcada para o chão pés e pernas penduradas e o dorso seguro e suspenso por amarrações que se juntam no teto decorado do hall do Castelo. É uma autêntica natureza morta, um monumento eqüestre. Transmite uma tensão frustrada, uma energia negativa, uma inquietude em suspensão sem capacidade de mover-se. Leva a um imaginário coletivo, a uma reflexão sobre a dimensão social e cultural da natureza do nosso mundo frágil atual. A escultura está em local histórico da época barroca, monumento projetado por Fillipo Juvarra. O Museu apresenta coleções de arte contemporânea privilegiando os mestres de nosso tempo.

Maurizio Cattelan, nascido em Pádua em 1960, elabora e labora suas esculturas sem a preocupação de como serão analisadas, interpretadas. tt Leva a  um imaginário coletivo, a uma reflexão sobre a dimensão social e cultural da natureza do nosso mundo frágil atual. Leva a um imaginário coletivo, a uma reflexão sobre a dimensão social e cultural da natureza do nosso mundo frágil atual. Trabalha com vários materiais que resultam em uma massificação/mumificação realista das formas corpóreas e de outros objetos.O artista é conhecido pelas suas figuras políticas e culturais do mundo contemporâneo como a do Papa João XXIII, tombado pela queda de um meteoro e de governantes famosos.

Especialmente esta obra eqüina transmite uma tensão frustrante, uma energia negativa, uma inquietante suspensão da capacidade de mover-se

Transmite e leva â reflexão o imaginário coletivo sobre o mundo social e coletivo. Significativo diante desta obra é trabalhar com o “pensiero debole”, um conceito de interpretação do filósofo italiano Gianni Vattimo que em várias de suas obras incentiva uma hermenêutica não com uma lógica fechada e unívoca mas com o pensamento traduzido no sentido de uma livre interpretação que rejeita a idéia já ultrapassada de situações e idealizações prontas e monolíticas não mais coniventes com a época atual. Vattimo ao propor esta hermenêutica, arte da interpretação, desde a década de 1990 introduz o pensamento débil como uma emancipação da então tradicional estrutura.Uma interpretação ao infinito no seu processo qualitativo e quantitativo, superando a metafísica da presença.

A obra L’Hai Visto propõe interrogações sem dar respostas e caminhos para este mundo atual e catastrófico, como uma natureza morta, imóvel e sem vida. A exposição das obras do artista Maurizio Cattelan encontra-se no, momento atual, no Monnaie de Paris até o mês de janeiro de 2017.

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