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Lisbeth Rebollo é eleita presidente da Associação Internacional de Críticos de Arte

Pela primeira vez em 70 anos de atividades, os integrantes da AICA elegem uma brasileira para ficar à frente da associação.

Leila Kiyomura – ABCA / São Paulo

Lisbeth Rebollo Gonçalves: Discurso de posse no Auditório do Pompidou.

“É um grande desafio estar encarregada da direção da Associação Internacional de Críticos de Arte, na qual existe uma rica diversidade cultural, reunindo 64 seções nacionais e 95 países, num total de mais de 4.500 associados…” – Com este depoimento, Lisbeth Rebollo Gonçalves assumiu a presidência da AICA em uma solenidade realizada, no último dia 17 de novembro, no auditório do Centro Georges Pompidou, na França.

É a primeira vez em 70 anos de atividades, que os integrantes da AICA elegem uma brasileira para ficar à frente da associação. Uma escolha democrática – votaram críticos e pesquisadores do mundo inteiro – que reconhece o mérito e dedicação de Lisbeth Rebollo na arte brasileira e internacional. Com uma carreira como docente e pesquisadora da Universidade de São Paulo, Lisbeth atuou, por duas gestões, no Museu de Arte Contemporânea da USP, sendo uma das responsáveis pela conquista da nova sede no Ibirapuera. Tem diversos livros e artigos publicados sobre crítica e história da arte e curadorias de exposições com a participação de artistas brasileiros e internacionais. Entre as suas diversas funções, atuou como presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Também recebeu inúmeros prêmios pelos livros publicados e atuação na divulgação da arte brasileira.

Lisbeth Rebollo explica que sempre acreditou na importância do trabalho das associações, no seu sentido social de aproximação de pessoas e de interação em torno de determinados objetivos que podem ter forte repercussão na sociedade. “A AICA tem objetivos relevantes. Teve no passado e tem no presente o objetivo de ressaltar a necessidade de reconhecimento da diferença cultural, e da ética, fundamental e urgente nos dias de hoje.”

A AICA nasceu logo após a Segunda Grande Guerra, no âmbito da Unesco. “A meta era uma colaboração com esta entidade no sentido de contribuir para a reconstrução de valores éticos, em dimensão internacional, promovendo a aproximação entre diferentes culturas e reconhecendo a importância desta diferença”, observa a professora. “E cumpriu e vem cumprindo este papel.”

Hoje, a AICA é um espaço já consagrado de comunicação no campo da cultura e da arte, onde muitas vozes podem se manifestar e se expressar.  “Se por um lado, visa à crítica de arte, para além do discurso estético, apresenta-se também como um terreno aberto aos debates da sociedade que lhe é contemporânea. Suas ações e decisões e seus debates podem ter uma importante repercussão ética não só no campo da cultura, mas igualmente no campo da sociedade.”

Lisbeth e o crítico e filósofo francês Georges Didi-Huberman, premiado pela AICA por sua atuação nas artes, no Centro Pompidou.

“Numa época de globalização da comunicação, a AICA precisa utilizar-se dos meios eletrônicos como o YouTube. Precisamos trabalhar em rede…”

Lisbeth já está traçando várias metas entre as atividades da AICA. Destaca a ampliação da visibilidade da produção intelectual dos membros da associação. “Precisamos usar os recursos de comunicação digital, promovendo publicações em forma de e-books, em todos os Congressos,  Simpósios e Seminários. Estas publicações estarão acessíveis on line e impressas on demand.

Na avaliação da presidente, é muito importante o trabalho em rede. “Numa época de globalização da comunicação, a AICA precisa utilizar-se dos meios eletrônicos, como o YouTube. Ter um canal para a difusão de suas conferências, debates e outros eventos.”

Outro ponto importante é estimular a interação entre as Seções Nacionais da AICA, em torno de projetos de comum interesse, buscando atender às especificidades locais, sempre valorizando as diferenças. Lisbeth destaca também a atuação da AICA incentivando a prática do debate em torno da arte e da crítica de arte. “Assim, estaremos ativando um dos objetivos -chave da associação que é desenvolver a cooperação internacional, examinar e analisar as forças sociais, políticas e econômicas que contextualizam a arte.”

Da esquerda para direita: Marek Bartelik (Presidente Aica 2011-2017), Adriana Almada (Presidente Aica Paraguay), Raphael Cuir (Presidente da Aica-França); Lisbeth Rebollo Gonçalves (Presidente Aica International); Mathilde Roman (Tesoureira AICA International) e Marjorie Allthorpe-Guyton (Presidente da Aica U.K. e Secretaria Geral da Aica International).

Outro desafio de Lisbeth na presidência da AICA é contribuir para a divulgação dos trabalhos do Arquivo de Crítica de Arte da associação que está na Universidade de Rennes e trabalha em interação com o Instituto Nacional de História da Arte. “Pretendemos reservar, em cada evento internacional da AICA, um espaço para o resgate da  história institucional, com base em documentos de sua trajetória, dos congressos e da trajetória das personalidades intelectuais que contribuíram para a sua consolidação”, observa. “E, claro, manter um canal aberto de comunicação com os presidentes das Seções Nacionais para ouvir ideias e sugestões de trabalho que afirmem sempre a Associação Internacional de Críticos de Arte na cena mundial da sociedade contemporânea.”

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