n° 50 – Ano XVII – Junho de 2019 ISSN 2525-2992  →   VOLTAR

Prêmio ABCA 2018

Um tradicional encontro para lembrar que a arte brasileira não para…

Para a maioria de nós, a solenidade de entrega do prêmio e mesmo todo o processo de votação e escolha, implica em emoções que nos movem e nos levam à ação de querer fazer mais. Elas são uma forma de comunicação com os nossos semelhantes…

Sandra Makowiecky – ABCA / Regional Sul

Sobre a noite, que emoção! Que emoção?[1] Tomo o título do pequenino livro de Didi- Huberman, em que diante de uma plateia de jovens e adultos,  pergunta: o que são as emoções? Todos nós as conhecemos em primeira mão, é claro, mas nem por isso elas deixam de nos intrigar. Somos nós que as “temos” ou são elas que nos “têm”? Nós as sofremos – e portanto elas nos imobilizam, nos reduzem à passividade – ou elas nos movem, isto é, nos levam à ação? Elas nos isolam e nos silenciam ou, ao contrário, são uma forma de comunicação com os nossos semelhantes?

A noite de entrega do prêmio da ABCA sempre causa em muitos de nós, este tipo de sensação e sentimento. Começa sempre com as palavras de abertura, uma apresentação cultural, geralmente musical e de excelente qualidade, depois os premiados após descrição de sua atividade e prêmio sobem ao placo, um membro da ABCA entrega o prêmio, tentando estabelecer vínculos de proximidades e afetos. Eu aprecio este ritual como quem aprecia um bom vinho.

Para a maioria de nós, a solenidade de entrega do prêmio e mesmo todo o processo de votação e escolha, implica em emoções que nos movem e nos levam à ação de querer fazer mais.  Elas são uma forma de comunicação com os nossos semelhantes. Um prêmio é algo concedido a uma pessoa ou grupo de pessoas como reconhecimento da excelência em determinado campo ou por um relevante serviço prestado. Trata-se de um momento especial em que paramos para olhar com carinho, reconhecimento e admiração, para a pessoas que muito fizeram pela arte e cultura em nosso país. Momento de confraternização e festa, momento de encontrar nossos pares, nossos professores e como gosto de dizer, momento de encontrar muitos de “nossos livros” em forma de gente.

Diante de um mundo em transformação, a sociedade e o universo da arte igualmente modificam-se, pois é da sua natureza. Mas há que se preservar a necessidade da universalidade de conhecimento. Talvez a premiação da ABCA defenda a manutenção de um esprit de corps da área de conhecimento, que age como uma associação de indivíduos organicamente articulada para o exercício de sua missão educacional e artística e para a defesa do direito de realizá-la.

Existe na solenidade, uma necessidade da compreensão de um sentido de herança e transmissão, considerando que existe um valor particularmente frágil, o da compreensão do mundo humano, que passa pela leitura das obras e de nossos legados e antepassados. Assim, pode-se dizer que é preciso legar uma exigência de transmissão e um valor essencial, que é a paixão de compreender, e em minha ótica, nisto reside a importância da solenidade deste prêmio. Tal fato se confirmou para mim quando trabalhava em meu escritório. Estava eu a ver textos de crítica de arte relativos ao século XIX, quando topei com um texto de Gonzaga Duque. Foi quando parei e pensei. Eu tenho um prêmio com esse nome, o troféu é uma escultura de Nicolas Vlavianos e ele está em minha escrivaninha. Tive uma epifania, esclarecendo bem, em termos filosóficos, epifania é como se eu tivesse tido o real sentimento que expressa uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. Do ponto de vista filosófico, a epifania significa uma sensação profunda de realização, no sentido de compreender a essência das coisas. Afinal, ter um prêmio com o nome de Gonzaga Duque me deu sentido de transmissão e herança.

As fotos são muitas, foram dez categorias de prêmios, três destaques  e três homenagens. Seguindo uma linha de certa tradição, selecionei a imagem do encontro da presidente da ABCA ( Associação Brasileira de Críticos de Arte) e da Presidente da AICA ( Associação Internacional de Críticos de Arte), Lisbeth Rebollo Gonçalves. A cena da abertura com nossa presidente, Maria Amélia Bulhões e ainda, Maria Amélia Bulhões, nossa vice – presidente Claúdia Fazzolari e Agnaldo Farias, da diretoria da ABCA. Selecionei imagens dos dois prêmios mais antigos – Gonzaga Duque (para Monica Zielinsky) e Sérgio Milliet ( para Percival Tirapelli). Ao final, uma imagem com fotos de todos os premiados no palco. E já esperando o ano de 2020, movida pelo desejo de querer fazer mais.

“Prêmio foi dedicado aos artistas, críticos, curadores, exposições e instituições que mais contribuíram para a cultura nacional em 2018″

Em São Paulo, na noite de 28 de maio de 2019, a Associação Brasileira de Críticos de Arte fez a entrega de prêmios aos artistas visuais, curadores, críticos, autores e instituições culturais vencedores do Prêmio ABCA (lista abaixo), segundo avaliação de seus membros. A premiação anual contemplou dez categorias que apontaram os destaques do cenário das artes visuais que mais contribuíram para a cultura nacional em 2018.

Os prêmios foram atribuídos pelo resultado da votação de cerca de 150 associados, em escala nacional, feita por cédula rubricada, com a apuração dos resultados em Assembleia realizada por uma comissão de associados, com a participação da diretoria.

O troféu criado pela artista Maria Bonomi, foi entregue em cerimônia no Teatro do SESC Vila Mariana. A ABCA põe em evidência personalidades por meio de homenagens e aponta destaques no cenário das artes plásticas.

PRÊMIO ABCA 2018

Prêmio Gonzaga Duque (crítico associado pela atuação durante o ano)

Mônica Zielinsky

Prêmio Sérgio Milliet (crítico por pesquisa publicada)

Percival Tirapeli, pela publicação Patrimônio Colonial Latino-Americano: urbanismo, arquitetura e arte sacra. São Paulo: SESC, 2018.

Prêmio Mario Pedrosa (artista de linguagem contemporânea)

Sandra Cinto

Prêmio Ciccillo Matarazzo (personalidade atuante no meio artístico)

Max Perlingeiro

Prêmio Mário de Andrade (crítico de arte pela trajetória – filiado ou não)

Angela Ancora da Luz

Prêmio Clarival do Prado Valladares (artista pela trajetória)

Claudia Andujar

Prêmio Maria Eugênia Franco (curadoria pela exposição)

Maria Luíza Távora, pela curadoria da mostra FAYGA – Entre Cores e Transparências, apresentada pelo Palácio Itamaraty, entre 19 de dezembro a 03 de março de 2019

Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade (instituição pela programação e atividade no campo da arte)

Museu de Arte de São Paulo – MASP

Prêmio Paulo Mendes de Almeida (melhor exposição)

Histórias Afro-Atlânticas, no Museu de Arte de São Paulo (MASP) e Instituto Tomie Ohtake

Prêmio Antônio Bento (difusão das artes visuais na mídia)

Revista seLecT

Destaques:

Guilherme Wisnik

Mapa das Artes

Salão de Arte Contemporânea de Santo André

Homenagens:

Daniel Santiago

Flavio Shiró

Márcio Sampaio

Fig.1. Maria Amélia Bulhões – presidente da ABCA ( Associação Brasileira de Críticos de Arte) e Presidente da AICA ( Associação Internacional de Críticos de Arte), Lisbeth Rebollo Gonçalves. Foto: Matheus José Maria.
Fig.2. Maria Amélia Bulhões – presidente da ABCA proferindo palavras de abertura. Troféus de autoria de Maria Bonomi ao fundo. Foto: Matheus José Maria.
Fig.3. Maria Amélia Bulhões, nossa vice –presidente Claúdia Fazzolari e Agnaldo Farias, da diretoria da ABCA . Foto: Evelson de Freitas
Fig.4. Prêmio Gonzaga Duque para Monica Zielinsky, sendo entregue por Sandra Makowiecky. Foto: Evelson de Freitas.
Fig.5. Prêmio Sérgio Milliet para Percival Tirapeli, sendo entregue por Jacob Klintowitz à filha de Percival Tirapeli. Foto: Matheus José Maria.
Fig.6. Os premiados, destaques e homenageados, em foto histórica, no placo. Foto: Evelson de Freitas.

50 Anos em prol da arte brasileira

A Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), criada em 1949, é a mais antiga associação brasileira de profissionais das artes visuais. Sua fundação, no Rio de Janeiro, foi liderada pelos críticos Sérgio Milliet, seu primeiro presidente, Mário Barata, Antônio Bento e Mário Pedrosa, entre outros. Atualmente, é presidida por Maria Amélia Bulhões.

Sua finalidade é reunir os críticos, incluindo pesquisadores, historiadores, teóricos, ensaístas, jornalistas, jornalistas culturais e professores de história da arte e de estética, brasileiros ou domiciliados no Brasil. A ABCA realiza periodicamente seminários regionais, nacionais e internacionais, edita o Jornal Arte &Crítica e mantém o Arquivo e Laboratório de Crítica de Arte, onde trabalha a documentação da produção dos críticos de arte, desenvolve o estudo da história da entidade, debate a história e a prática da crítica de arte e a arte contemporânea. A associação colabora, ainda, com os poderes públicos e a iniciativa privada, por meio da participação em ações e realizações culturais de utilidade social e cultural que visam despertar e intensificar o interesse do público pela arte.

Já o sistema de premiação surgiu em 1978. Além dos prêmios Gonzaga Duque e Sérgio Milliet, a ABCA tem dez categorias, cada uma com três indicações, além de destaques e homenagens.  Todos eles são atribuídos a artistas visuais, curadores, críticos, autores e instituições culturais que mais contribuíram para a cultura brasileira a partir do resultado da votação de todos os associados.

[1] Didi- Huberman, G. Que emoção? Que emoção? Lisboa: Editora 34, 2016.

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