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Evento

Seminário Internacional Arte Concreta e vertentes Construtivas

Durante quatro dias foram discutidas as diversas possibilidades teóricas de abordagem da história, da crítica e das técnicas usadas na construção da obra de arte.

Marilia Andrés Ribeiro – ABCA / Minas Gerias

Foto: Estúdio Walmir Gis.

O Seminário Internacional Arte Concreta e vertentes Construtivas. Teoria, Crítica e História da Arte Técnica ocorreu na UFMG, em Belo Horizonte, entre 26 e 30 de junho de 2018. Foi realizado pelo Laboratório de Ciência da Conservação/UFMG (LACICOR), em parceria com a ABCA, o Getty Research Institute e o Grupo de Pesquisa ARCHE da Argentina. Contou com o apoio do PAEP-CAPES e da UFMG.

Luiz Souza e Yacy-Ara Froner. Foto: Estúdio Walmir Gis.

O Seminário foi coordenado por Maria Amélia Bulhões (ABCA), Luiz Antônio Cruz Souza (LACICOR), Marilia Andrés Ribeiro (ABCA), Yacy-Ara Froner (LACICOR), Claudia Fazzolari (ABCA) e Alessandra Rosado (LACICOR).

Luiz Souza e Maria Amélia Bulhões. Foto: Estúdio Walmir Gis.

Durante quatro dias discutimos as diversas possibilidades teóricas de abordagem da história, da crítica e das técnicas usadas na construção da obra de arte. Focalizamos a arte concreta, neoconcreta e as diversas vertentes construtivas na América Latina, por considera-las uma produção singular dentro do contexto da arte moderna no século XX.  Ao englobar a história, a crítica, a ciência e a técnica, possibilitamos a abertura de um olhar transdisciplinar sobre a arte, os artistas, as obras e o sistema de arte, bem como a relação entre a arte e a política.

Lisbeth Rebollo, Yacy-Ara Froner, Luiz Souza, Maria Amélia Bulhões, Silvia Paixão e Jeanne-Marie Teutonico. Foto: Estúdio Walmir Gis.

No 1º dia (26/06/2018), após a abertura institucional, foi realizada a primeira mesa, coordenada por Lisbeth Rebollo Gonçalves (Presidente da AICA) onde foram prestadas homenagens à Maria Helena Andrés (Artista plástica), Márcio Sampaio (Crítico) e Aracy Amaral (Historiadora). Todos os homenageados fizeram depoimentos sobre a sua participação no movimento construtivo brasileiro.

Marilia Andrés, Maria Helena Andrés, Lisbeth Rebollo, Márcio Sampaio e Aracy Amaral. Foto: Estúdio Walmir Gis.
Marcio Sampaio, Maria Helena Andrés e Aracy Amaral. Foto: Estúdio Walmir Gis.

Seguiu-se a conferência inaugural proferida por Mari Carmen Ramirez (Museu de Arte de Houston) sobre A relevância da concretude. Uma arte abstrata que não é abstração. Mari Carmen chamou a atenção para os cruzamentos, as pontes e as mesclas da arte concreta/construtiva na América Latina, em diálogo com as vertentes europeias, no contexto industrial do pós 2ª guerra. Mostrou a importância das coleções privadas para a valorização da arte construtiva/concreta/neoconcreta na América Latina, a exemplo de Adolpho Leirner e Patricia Cisneros. E apontou as contradições entre os discursos críticos e a fatura das obras dos artistas, tomando como exemplos as obras dos artistas uruguaios (Torres Garcia), argentinos (Raúl Lozza e Juan Melé) e brasileiros (Volpi, Hélio Oiticica e Lygia Clark).

Mari Carmen Ramirez, Luiz Souza e Maria Amélia Bulhões. Foto: Estúdio Walmir Gis.

Na tarde deste dia discutimos a teoria e crítica do projeto construtivo com a participação de Luiz Camillo Osório (ABCA) que apresentou a trajetória crítica de Mário Pedrosa e a sua contribuição para a formulação dos postulados do neoconcretismo. Maria Lucia Kern (ABCA) abordou o pensamento de Joaquim Torres Garcia e o processo de criação do Universalismo Construtivo na Europa e na América Latina. Alexandra Le Blanc (Universidade da California) discutiu a relação entre arte e política a partir do estudo do Salão Preto e Branco, realizado no Rio de janeiro em 1954, apontando o posicionamento dos artistas contra a proibição de importação das tintas estrangeiras pelo governo brasileiro. Yacy-Ara Froner (LACICOR) mostrou a importância da história da arte técnica, enquanto estudo transdisciplinar, envolvendo a crítica, a história e as técnicas usadas pelos artistas na construção da obra de arte. Situou a posição dos estudos críticos da arte concreta/neoconcreta no mapa geopolítico das Américas.

Na manhã do segundo dia (27/06/2018) foi aberta a discussão sobre as coleções de arte, com a mediação de Icleia Borsa Cattani (ABCA). Susannah Gilbert (Getty Research Institute) apresentou o diálogo intermidiático entre as obras concretas da Coleção Cisneros e a coleção de documentos (revistas, poemas e manifestos dos poetas concretistas), pertencentes ao acervo do Getty Research Institute. Mostrou como esses documentos artísticos e poéticos contribuíram para a formulação dos discursos sobre a arte concreta. Tadeu Chiarelli (USP) apresentou a sua contribuição, durante a gestão no MAM/SP, para a ampliação do acervo dessa instituição, mediante a aquisição de obras de artistas de outras vertentes, desestabilizando a supremacia da arte concreta e neoconcreta neste acervo. Fernando Cocchiarale (MAM/RJ) mostrou a constituição do acervo do MAM/RJ e apontou as limitações de tal acervo referente ao conjunto de obras abstratas e concreto-construtivas. Marília Andrés Ribeiro (ABCA) apresentou a obra dos artistas construtivos no acervo do Museu de Arte da Pampulha a partir da análise das obras, depoimento dos artistas e da fortuna crítica. Rita Lages Rodrigues (UFMG) discutiu a questão das coleções públicas e privadas, focalizando a arte construtiva da Coleção Tuiuiu, pertencente ao colecionador Luiz Antônio de Almeida Braga.

Na tarde deste mesmo dia foram discutidas várias abordagens referentes às vertentes construtivas na Europa e América Latina. Ana Maria Belluzo (ABCA) examinou as obras em madeira de três artistas construtivos (Alexander Rodchenko, Joaquim Torres Garcia e Amilcar de Castro), buscando suas aproximações e especificidades. Isabel Plante (Universidad Nacional San Martin) mostrou a relação entre a concepção e a produção das obras dos artistas do Grupo Madí, Arte Concreto-Invención e Perceptismo, a partir da análise de suas publicações. E Maria Angélica Melendi (UFMG) discutiu a permanência da vertente construtiva latino-americana nos séculos XX/XXI, a partir dos movimentos matriciais dos anos 1950. Salientou suas características formalistas e críticas dentro de uma tradição construtiva que está presente na arte brasileira.

No terceiro dia (28/06/2018) debateu-se a história da arte técnica pautada pela materialidade da arte concreta/neoconcreta. Corina Elise Rogge (The Museum of Fine Arts Houston) abriu a discussão com a palestra sobre a importância da análise científica para o conhecimento dos materiais industriais usados pelos artistas, bem como das escolhas artísticas, no contexto da arte concreta e neoconcreta brasileira. Sua pesquisa focalizou as obras de Volpi, Lygia Clark e Hélio Oiticica pertencentes à Coleção Adolpho Leirner do Museum of Fine Arts de Houston. Alessandra Rosado (LACICOR) mostrou a importância do conhecimento da técnica e das análises físico/químicas para maior compreensão das singularidades do fazer artístico, apresentando exemplos das obras dos artistas concretos selecionados pelo projeto. Claúdio Valério Teixeira (ABCA) e Edson Motta (UFRJ) apresentaram o processo de restauração de uma obra de Lygia Clark que foi danificada no incêndio do MAM/RJ, em 1978.

Na segunda sessão do terceiro dia foi aprofundada a discussão sobre as análises físico-químicas das obras dos artistas concretos argentinos por Fernando Marte (Tarea Universidad de San Martin); concretos e neoconcretos brasileiros por Luiz Souza (LACICOR) e dos artistas concretos/neoconcretos da Coleção Cisneros por Tom Learner. Tivemos, ainda, a contribuição de Chistopher Willian McGlinchey (MoMA) que ressaltou as propriedades intrínsecas da pintura artística, aproximando as propostas artísticas das descobertas científicas. Um dos exemplos citados pelo curador foi a aproximação dos Bichos de Lygia Clark com o princípio da incerteza da física quântica de Heisenberg.

Pesquisas e questionamentos em 32 comunicações. Foto: Estúdio Walmir Gis.

No ultimo dia (29/06/2018) tivemos 32 comunicações de professores, pesquisadores, estudantes de pós-graduação, historiadores, conservadores e artistas, provenientes de diversas localidades do Brasil. Estes apresentaram suas pesquisas e questionamentos no campo da história da arte construtiva/concreta/neoconcreta, bem como no campo da história da arte técnica e da ciência da conservação. Estas apresentações mostraram a importância das discussões transdisciplinares no campo das artes e das ciências e a abertura das Jornadas da ABCA para outros campos teóricos, críticos e históricos.

Para maiores informações sobre as palestras e comunicações, acesse o site do evento arte concreta do LACICOR: lacicor.eba.ufmg.br/concreteart/

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