O Projeto Armazém, com sede no Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, em Florianópolis, cataloga mil peças do acervo, lança um site e o livro Projeto Armazém (Editora Caseira). As três ações demonstram o quanto a associação entre arte, trabalho, credibilidade e a conquista de um prêmio como o Edital Elisabete Anderle 2017 de Estímulo à Cultura assegura um novo patamar no desenvolvimento de propósitos e dimensões de uma iniciativa no campo das artes visuais. O aval do governo do Estado de Santa Catarina, num montante de R$ 100 mil, possibilitou a realização do 16º Armazém – O Mundo como Armazém, exposição que envolveu 439 artistas e 921 trabalhos entre abril e junho de 2018, uma feira e o seminário Diálogos sobre o Múltiplo e Publicações de Artista ocorridos em junho de 2018 para estimular a aquisição de obras de arte e aprofundar reflexões em torno de investigações entre publicação de artista, o múltiplo, arquivo e coleção.

O lançamento oficial do site projetoarmazem.com e do livro está previsto para o dia de encerramento da 22ª edição do Projeto Armazém intitulada Arte Menor que movimentará o Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza de 1º a 28 de fevereiro de 2020. Na ocasião, ocorrerá uma conversa sobre a irradiação do projeto no circuito de arte de Santa Catarina e do País. A catalogação e o lançamento do site ampliam o acesso ao acervo, uma vitalidade desejada pelos integrantes da equipe: Andressa Argenta, Beatriz Lima, Bruna Ribeiro, Fran Favero, Francine Goudel, Joana Amarante, Juliana Crispe e Matheus Abel.

O livro Projeto Armazém apresenta textos e proposições artísticas de 13 pesquisadores envolvidos nas ações do Projeto Armazém ao longo de sua trajetória. Assinados por Juliana Crispe, Fran Favero, Daniele Zacarão, Sandra Favero, Lilian Amaral, Francine Goudel, Ricardo Corona, Helene Sacco, Amir Cador, Raquel Stolf, Marina Moros, Franzoi e Néri Pedroso aprofundam, em 168 páginas, uma compreensão sobre o Armazém, idealizado em 2011 como um grande encontro entre artistas, coletivos, editoras independentes e público em torno de exposições, mostras, feiras, oficina, seminários, com obras de arte com caráter múltiplo, ou seja, produzidas em pequenas ou grandes tiragens/reproduções e publicações de artistas. Sem sumário e biografia dos autores, sem hierarquia, em consonância com os pressupostos do Armazém que não se utilizam de etiquetas indicativas nas exposições, o livro inclui ainda a ficha técnica das primeiras 20 edições e uma edição em parceria com a Tenda de Livros. O design gráfico é de Tina Merz que, na escolha do papel e na criação, valoriza as características do projeto. A Editora Caseira é de Gustavo Reginato, especializada em publicações de artistas. A organização do livro é da idealizadora do projeto Juliana Crispe em parceria com Francine Goudel.

O site oferecerá informações sobre o Projeto Armazém, das edições já realizadas, e das obras em acervo. O intuito é ser uma plataforma de pesquisa para os interessados em obras com formato de múltiplo e publicação de artista.

 

Análise de resultados

O reconhecimento da Fundação Nacional de Artes, do extinto Ministério da Cultura, através do mapeamento Territórios da Arte (Funarte/UFF) como único coletivo independente do Sul do Brasil na área de artes visuais a ser selecionado para edição em Niterói na Universidade Federal Fluminense, confere um caráter de celebração, sobretudo no encerramento do projeto legitimado pelo Edital Elisabete Anderle 2017, quando se analisa os resultados e a importância da conquista do prêmio que permitiu o alargamento de interlocuções e do acervo em nível estadual e nacional.

As mil obras reunidas em 2017 hoje somam cerca de 3 mil. A visibilidade alcançada pelas ações amplia o interesse dos artistas e do público, resulta numa melhor compreensão sobre a reprodutibilidade de trabalhos artísticos e o seu valor, estimula o desejo de aquisição e o colecionismo no Estado. Ao atender sucessivos convites para novas exposições e eventos de reflexão, refina articulações com o sistema de arte do Brasil.

O anúncio do Prêmio Jovens Curadores 2019, concedido pela Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba para Juliana Crispe, reconhece a sua trajetória como pesquisadora e autora de projetos, entre eles a idealização do Projeto Armazém. Há 12 anos atuando como curadora, contabiliza mais de cem iniciativas curatoriais que ajudam a potencializar a produção de artes visuais no Estado em contexto nacional e internacional. Para Juliana, o prêmio é o desdobramento de um trabalho que dá voz a artistas de diferentes gerações. Com Francine Goudel e outras mulheres, administra o Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, criado em 2016 da união de um grupo com atuação multidisciplinar em um ambiente e plataforma propulsora de ações voltadas ao cuidado de mulheres e crianças, com foco no feminismo, na maternidade, visibilidade dos artistas de Santa Catarina e do acesso da comunidade à cultura, sobretudo a comunidade do Sambaqui, onde o espaço cultural funciona de quarta a sexta, com eventos e horários extras.

 

Sobre o Armazém:

Criado em 2011, o Projeto Armazém apresenta, por meio de exposições e feiras de arte, obras que sejam múltiplos como publicações de artista, livros de artista, cadernos de artista, cadernos de desenho, diários de artista, diários de bordo, postais, panfletos, cartazes, gravuras, fanzines, lambe-lambes, stickers, cartões, carimbos, objetos, etc; ou seja, trabalhos que tenham tiragens. Três fatores dão título ao projeto: a primeira edição aconteceu em Florianópolis (SC), no Museu Victor Meirelles, instalado na casa natal de Victor Meirelles na qual funcionou um bar e armazém em parte da primeira metade do século 20. Além das relações com o espaço físico da instituição, a edição inaugural referencia o grupo Fluxus e o texto de Arthur C. Danto, O Mundo como Armazém: Fluxus e Filosofia, no livro O que é Fluxus? O que Não É! O Porquê (Centro Cultural do Banco do Brasil/The Gilbert an Lila Silverman Collection Foundation/2002).

Outro fator inspirador é a imagem utilizada nos cartazes das edições, uma fotografia de acervo familiar da idealizadora do projeto, Juliana Crispe. Um retrato do seu bisavô, Osvaldo Manoel Valgas, conhecido como seu Vadico, que entre as décadas de 1930 e 1990 foi sócio/funcionário de um armazém, no bairro Prainha, próximo ao centro da cidade de Florianópolis.

Desde 2011, o Armazém contabiliza a participação de mais de 500 artistas/coletivos brasileiros e alguns estrangeiros. Ao longo desses anos, formou um acervo de trabalhos com cerca de 3 mil obras em sua coleção.

Armazém é um espaço propositor de relações com a arte. A coleção e as mostras se dão num conjunto heterogêneo e desprendido de hierarquias, valoriza o múltiplo e o coletivo como força pulsante e necessária para as artes.

 

Ficha técnica – livro Projeto Armazém

Projeto contemplado pelo Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura/2017. Ano de execução 2018-2019

Organização: Juliana Crispe e Francine Goudel

Autores: Juliana Crispe, Fran Favero, Daniele Zacarão, Sandra Favero, Lilian Amaral, Francine Goudel, Ricardo Corona, Helene Sacco, Amir Cador, Raquel Stolf, Marina Moros, Franzoi e Néri Pedroso

Fotografias: Endrigo Righeto, Feira Solar, Fran Favero, Francine Goudel, Jane Rafaela, Juliana Crispe, Manolo Carlos, Marcio Silveira, Maria Eduarda Müller, Museu Victor Meirelles, Nacasa Coletivo Artístico, Néri Pedroso, O Sítio, Rodrigo Sambaqui, Sarah Uriarte e Sergio Adriano H.

Correção ortográfica: Patrícia Galelli

Designer gráfica: Tina Merz

Editora Caseira

Realização: Projeto Armazém, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Universidade do Estado de Santa Catarina

Apoio: Edital Elisabete Anderle de Estimulo à Cultura, Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura e Governo do Estado de Santa Catarina

 Apoio Cultural: Departamento de Artes Visuais, Centro de Artes (Udesc), Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, Farmácia Ponta do Goulart e Multicor Fine Art

 Produção: Lugar Específico – Francine Goudel

 

Serviço:

O quê: Lançamento do site projetoarmazem.com e do livro Projeto Armazém 

Quando: 28 de fevereiro de 2020, às 19h

Onde: Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, Rodovia da Gilson da Costa Xavier, 1384, bairro Sambaqui, Florianópolis

Quanto: Gratuito

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