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Homenagem

A perda do artista e crítico de arte João Otávio Neves Filho

Associado da ABCA, na Regional Sul, Janga, como era conhecido, combatia o uso político dos órgãos culturais.

Sandra Makowiecky – ABCA / Santa Catarina

Janga: artista, crítico, curador e marchand. Foto: Divulgação.

Faleceu 17.08.2018, em Florianópolis aos 72 anos o artista plástico, crítico de arte, curador e marchand João Otávio Neves Filho, o Janga.   Era Membro da ABCA – Regional Sul, e como crítico de arte, combatia o uso político dos órgãos culturais. Nativo da Ilha de Santa Catarina, cursou artes plásticas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, programação visual na Fundação Armando Álvares Penteado, xilogravura com Anna Carolina e arte contemporânea com Romanita Disconzi. Janga foi curador de exposições importantes no Estado, com olhar apurado, analítico e vanguardista. Com frequência publicava críticas em jornal e mantinha o blog “ C’a pá virada”, onde se manifestava sobre exposições e a imobilidade de políticas culturais e ou a pouca atuação de espaços culturais.

Como curador, se destacava em várias frentes, desde a descoberta e incentivo à produção de artistas, sendo um grande descobridor e incentivador de artistas populares, da arte primitiva à artistas contemporâneos, de novas gerações, transitando entre a arte popular e a erudita com a mesma desenvoltura. Também foi curador de inúmeras exposições importantes, como a do Masc (Museu de Artes de Santa Catarina), de 60 anos, do pintor Sílvio Pléticos, e coletivas que reuniram nomes como Rubens Oestroem, Jandira Lorenz, Janga, Eli Heil e Elias Andrade. Recentemente ainda fez os textos e críticas de apresentação da exposição “Arte Catarinense – Memória Preservada”, que reuniu cem anos de história na arte do Estado na galeria Helena Fretta neste ano de 2018. Sempre atento às origens, foi um intransigente defensor da cultura catarinense.

“Como um dos grandes incentivadores artísticos e culturais da Ilha de Santa Catarina, manteve durante décadas a Casa Açoriana…”

Janga e a sua filha única, a atriz Luíza Lorenz. Foto: Divulgação.

Deixa enorme legado em Santo Antônio de Lisboa, uma freguesia da ilha, que ajudou a transformar em polo cultural. Como um dos grandes incentivadores artísticos e culturais da Ilha de Santa Catarina, manteve durante décadas a Casa Açoriana. Através desse espaço cultural viabilizou exposições nacionais e internacionais. Também estimulava e concedia espaço aos anônimos, iniciantes, aspirantes a artistas.

Dirigiu a Associação Catarinense dos Artistas Plásticos de 1982 a 1986, período no qual, segundo o crítico Harry Laus, desenvolveu importante trabalho em prol da atualização da arte catarinense. Assinou a coluna de artes plásticas do jornal O Estado e Diário Catarinense por vários anos. Foi por três vezes membro do conselho estadual de cultura na câmara de artes plásticas, e por quatro vezes, foi membro do júri do Salão Nacional Victor Meirelles. Contribuía eventualmente com os jornais locais, através de textos críticos sobre mostras de arte que ocorrem na capital catarinense. Nos últimos tempos, Janga agregou ao seu espaço cultural, a Nau Catarineta, sempre tendo ao seu lado a sua filha única, a atriz Luíza Lorenz. Teatro, música, dança e cinema passaram a fazer parte da programação do espaço, que torceremos para que continue aberto. Sentiremos falta de seu jeito combativo, polêmico e motivador que, em textos e publicações, deixou muito material para pesquisas nas artes visuais, além de sua obra como artista.

Fica aqui uma tímida homenagem e registro.

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