n° 52 – Ano XVII – Dezembro de 2019 ISSN 2525-2992  →   VOLTAR

Destaque

Jornada ABCA 2019 resgata a memória do Congresso da AICA de 1959

Realizada em Brasília, a programação propõe uma reflexão sobre o presente com suas referências e projetos

Elisa de Souza Martinez – ABCA/DF

A Jornada ABCA 2019, em Brasília, foi dedicada à memória do Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte no Brasil, realizada em 1959, que teve como tema central “Cidade Nova: Síntese das Artes”. Além de recuperar, em perspectiva crítica, aspectos que ainda nos parecem relevantes para a elaboração de pensamento abrangente, para compreender diversas manifestações do Modernismo no Brasil, lançamos também um olhar para o presente, seu complexo emaranhado de referencias e projetos. Realizamos essa Jornada afinados, na maioria dos trabalhos, com o compromisso crítico definido por Giulio Carlo Argan (Arte e Crítica d’Arte), Presidente do Congresso de 1959, quem diferencia a atividade do historiador da arte, e a historiografia a que se dedica, da atividade do especialista em crítica: a interpretação. Com este princípio, reunimos um conjunto diverso de convidados e pesquisadores que, em dois dias de intensos trabalhos no Auditório do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília, participaram de debates que compuseram panorama atual abrangente de questões que nos instigam a percorrer os espaços, físicos ou institucionais, em que o Modernismo brasileiro, a partir da construção de Brasília, foi implantado.

Ao propor um evento para resgatar a memória do Congresso da AICA de 1959, bem como uma reflexão sobre sua atualidade, não pretendíamos refazer os passos do grupo que, liderado por Mario Pedrosa, conduziu o evento em três capitais brasileiras: Brasília, onde foi inaugurado, São Paulo e Rio de Janeiro. Nosso evento, em 2019, foi sediado unicamente em Brasília. Em 1959 o cenário para a recepção de 150 pessoas, aproximadamente, para a “construção” de debates em torno do tema geral, a síntese das artes em uma cidade nova, era um canteiro de obras. Desse modo, o caráter inconcluso das discussões registradas em duas publicações brasileiras comemorativas do primeiro cinquentenário do evento, parece-nos condizente com o clima de inacabamento de projetos e aspirações de 1959. A celebração do sexagésimo aniversário do evento foi submersa nos desafios atuais de propor, avaliar e administrar novos caminhos.

“As apresentações nos forneceram subsídios históricos para compreender o legado da AICA e suas realizações.”

A programação do evento de 2019 foi composta de mesas de conferências e mesas de comunicações. Abrimos o evento com mesa dedicada à AICA, homenageada, e ao resgate histórico do congresso de 1959. Nessa mesa tivemos duas conferências: a da Presidente da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), Lisbeth Rebollo Gonçalves, “A AICA no Brasil: o Congresso Internacional Extraordinário de 1959”, e a de Jacques Leenhardt, “A história da AICA ou As tribulações do universalismo”. Ambas abriram o debate, com mediação da Presidente da ABCA, Maria Amélia Bulhões. As apresentações nos forneceram subsídios históricos para compreender o legado da AICA e suas realizações.

Na segunda mesa de conferências, que se realizou na tarde do segundo dia, tivemos as contribuições de três convidados: Armando Silva, “Imaginários urbanos a partir da crítica de arte contemporânea”; Eduardo Pierrotti Rossetti, “Brasília, 1959: nexos entre a cidade, as obras e o Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte”; e Gustavo Lins Ribeiro, “Arqueologia de uma cidade: a criação das ‘periferias’ de Brasília”.  Essa foi a mesa que nos proporcionou uma síntese do que foi apresentado e debatido nos dois dias de evento. Oferecendo pontos de reflexão distintos, sobre o legado do Modernismo e a complexidade do que se denomina tecido urbano na atualidade, a mesa nos propôs um debate rico e polêmico.

Nas mesas de comunicações, tivemos uma grande variedade de trabalhos, que abrangiam desde análises da produção intelectual e artística de protagonistas do Congresso de 1959 (Mario Pedrosa, Françoise Choay, Jorge Romero Brest), bem como da implantação de Brasília como “síntese das artes” (Alfredo Ceschiatti, Athos Bulcão). Ademais, tivemos também a participação de pesquisadores que debatem a importância da organização de eventos para a consolidação dos valores da arte moderna no Brasil, seja na formação de acervos institucionais ou na realização de salões e eventos de abrangência regional. Os temas aglutinadores dessas mesas de comunicações podem dar uma ideia geral das discussões: “sobre o congresso de 1959”, “crítica de arte e instituições”, “Brasília – arquitetura”, “críticos de arte: seus discursos e atuações” e “Brasília e a síntese das artes”.

Além da intensa participação de todos os pesquisadores (ressaltamos que não tivemos cancelamentos de última hora, ou alterações na programação em decorrência de imprevistos) nos debates e seus desdobramentos, consideramos imprescindível compartilhar o conjunto de trabalhos que enriqueceram nossa programação com aqueles que não puderam assistir.

Com esse objetivo, faremos a publicação de livro com as contribuições de todos os participantes e o disponibilizaremos no site da ABCA, em breve. Um dos aspectos mais importantes no atual contexto de compartilhamento de publicações eletrônicas, para o qual a ABCA se propõe a contribuir, é seu papel na democratização do acesso ao conhecimento que se produz em eventos acadêmicos.

Como toda organização de evento científico, nosso trabalho teve valiosos apoios, patrocínios e colaborações. Começaremos pelo agradecimento à presença de Isis Braga e Marília Andrés Ribeiro, Vice-Presidentes regionais que generosamente vieram a Brasília para nosso evento. Agradecemos também ao nosso Conselho Científico, que realizou a seleção de trabalhos em tempo exíguo: Adriana Almada (AICA Paraguai), Angela Ancora da Luz (UFRJ), Annateresa Fabris (USP), Leonardo Cavalcanti (UnB), Marcelo Mari (UnB), Marília Andrés Ribeiro (UFMG) e Sandra Makowiecky (UDESC). Nosso evento não teria sido possível sem o apoio da Capes e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados sobre as Américas, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília.

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