Livros

“Hoje, os Minicontos povoam a minha imaginação…”

O artista, escritor, médico e crítico de arte, César Romero, conta como surgiu, em plena pandemia, um projeto que o levou a um universo que resultou em três novos livros

Leila Kiyomura – ABCA/São Paulo

Tempo nômade – Ilustração: César Romero.

“Quando do início da pandemia, ficamos com tempo sobrando, o que é raro em minha vida. Surgiu a ideia de um projeto que estava planejado desde 2018”, explica César Romero. “Consistia em desenvolver Minicontos, que tinha surgido em minha vida em 2017, quando em São Paulo, fui à casa de Marcia Cárdenas Viveiros para que ela traduzisse, para o espanhol meu livro de poemas “Algidez”, que é todo feito de sínteses. Marcia é guatemalteca. E me perguntou se eu conhecia o escritor Augusto Monterroso (1921 – 2003), nascido em Honduras e radicado na Guatemala. Eu disse que não o conhecia.”

A tradutora foi até a estante e apresentou para César o livro O Dinossauro, que entre muitos contos tinha um que tinha apenas uma única frase: Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.

 “Fiquei impactado pela concisão, síntese e brevidade. Marcia me informou que era o Miniconto mais famoso do mundo”, lembra. “Fui buscar mais informações sobre livros e o autor. Mesmo nas grandes livrarias de São Paulo, nada existia.”

Admirado, César Romero constatou que Monterroso não é conhecido no Brasil. “Depois de muitas buscas, consegui através do jornalista Paulo Marc, que mora no Rio de Janeiro, um exemplar de  A Ovelha Negra e Outras Fábulas. Foi um achado. Tenho afinidades com o poder de síntese. Em 2018,comecei a pesquisar o miniconto e logo principiei esta minha produção minimalista.”

“Escrevi três livros: Tempo Nômade, Linha e Vazio e Reciclário: Um Horóscopo…” 

Entre os textos e ilustrações, as histórias foram sendo pintadas e contadas com delicadeza e criatividade. César Romero narra como os seus Minicontos começaram a fluir:

“O primeiro que escrevi foi Vontade, assim posto: Um bonde passa agora, sem desejo. Uma alusão ao filme Um bonde chamado desejo, dirigido por Elia Kazan, em 1951 com base na peça de Tennessee Williams. Hoje os Minicontos povoam minha imaginação.

César Romero escreveu uma sequência de  três livros: Tempo Nômade, Linha e Vazio e Reciclário: Um Horóscopo.

Tempo Nômade consta de 132 textos. Está no link www.amazon.com.br/dp/B08TJ4IKTZ.

As ilustrações a cores ajudam a compreender melhor o texto. “É um outro projeto, abdiquei da minha iconografia tão rígida, do meu repertório de imagens, a que sou fiel a décadas”, comenta o escritor. “Passei por muitos “ismos”. Mesmo sendo um outro caminho, tem a minha fantasia, fases de pinturas passadas, as minhas cores, meu pensamento matemático e, ainda que as transfigurando, me apropriei de algumas imagens de comunicação de massa, como é usual na arte contemporânea. Quanto menor o número de caracteres, mais potência tem o Miniconto. A ideia é que, no mínimo de palavras seja apresentado todo um contexto e uma ação em torno do pouco que é escrito.”

Tempo Nômade traz o cotidiano das pessoas, dos afetos, das perdas, da sexualidade, da solidão, do tempo, das comunidades.

“Linha e Vazio são 50 textos e 50 ilustrações em preto e branco. São desenhos que buscam valorizar a linha e o espaço”, explica Romero.

Está no link: https://www.amazon.com.br/dp/B08VNW58PK

O terceiro livro é Reciclário: um Horóscopo. “O pensamento mágico e o sistema de crenças das pessoas são muito abrangentes e atingem todas as classes sociais. Existem aquelas que acreditam em horóscopo. A frase: Não saio de casa sem antes ler meu horóscopo, é comum no cotidiano”, observa. “Nenhum estudo científico mostrou suporte para a veracidade dos Horóscopos e os métodos são pseudocientíficos.”

A intenção do escritor foi transfigurar os 12 signos do zodíaco, diferente dos conhecidos que são postados em jornais, almanaques e livros.

Os leitores encontram o Miniconto Reciclário: um Horóscopo no link: https://www.amazon.com.br/dp/B08WC8VR8Z .

E se surpreendem ao ver os signos com novas roupagens visuais e interpretativas.

n° 57 – Ano XIX – Março de 2021 ISSN 2525-2992  →   VOLTAR

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