Nos dia 12 e 13 de novembro, aconteceu no Auditório do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília a Jornada ABCA 2019 com o tema “Síntese das Artes: Memórias e Atualidades”, com apoio da Capes, Departamento de Estudos Latino-Americanos (ELA) e realização da Associação Brasileira de Críticos de Arte – ABCA e Universidade de Brasília – UnB.

Integrando as celebrações dos 70 anos da ABCA e 60 anos do Congresso Internacional Extraordinário da AICA a Jornada em Brasília abre sua mesa oficial com a participação da Presidente da comissão organizadora do evento Elisa de Souza Martinez, também vice presidente regional da ABCA, Maria Amélia Bulhões, presidente da ABCA, Claudia Fazzolari -ABCA, bem como da atual presidente AICA e seu presidente honorário, Lisbeth Rebolo Gonçalves e Jacques Leenhadt.

Logo após a abertura, as mesas de conferências trouxeram durante os dois dias de evento temas como: A Associação Internacional de Críticos de Arte, O Congresso de 1959, Crítica de arte – instituições, discursos e atuações, Brasília – síntese das artes e arquitetura.  Na apresentação das comunicação participaram além dos pesquisadores que compuseram a mesa de abertura, Patrícia Freitas, Breno Farias, Percival Tirapeli, Carolina Melo, Luiza Paladino, Sara Scholze, Paulo Souza, João Balbino, Claudia Fazzolari, Marcelo Mari, Priscila Peixoto, Ana Cecília Souza, Ana Lucia Beck, Carla Fatio, Juliana Monticelli, Leandro Leão, Marcos Alencar, Miriam Teresinha de Carvalho, Armando Silva, Eduardo Pierrotti Rossetti e Gustavo Lins Ribeiro.

 

Confira algumas imagens da Jornada ABCA 2019:

 

Sobre o tema da Jornada

O Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte de 1959 representa ainda hoje um dos maiores esforços da área de crítica de arte na cena nacional. Sua operacionalização reuniu intelectuais de diversos países em uma iniciativa que buscava debater o alcance do projeto de Brasília em implantação. Na abertura do evento Mario Pedrosa, vice presidente da AICA, destaca para os congressistas a oportunidade de reunir “personalidades das mais eminentes da crítica de arte, do urbanismo e da arquitetura, que vieram ver esta cidade em formação e discutir os problemas não só da cidade nova mas também do enquadramento desta cidade no nosso país também em crescimento acelerado, e um problema ainda mais sério que é o de situar esta cidade, como símbolo de nossa época, na civilização mundial.” Em seguida, Giulio Carlo Argan, Presidente do Congresso escolhido pelos vice-presidentes da AICA presentes, encaminhou os temas para a itinerância do evento que se aconteceu entre Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, de 17 a 25 de setembro de 1959. As sessões realizadas nas três cidades conseguiram reunir interlocutores firmemente comprometidos com os destinos de um projeto em implantação. Em 1959, Brasília ainda era um canteiro de obras num território que passava a conquistar um espaço no imaginário nacional. Como poderia, a partir do desenho de seus espaços, edifícios e primeiras obras executadas em espaço público (Bruno Giorgi, Athos Bulcão, Alfredo Volpi) refletir possibilidades de “síntese das artes”? Desde as primeiras sessões, o pensamento de Giulio Carlo Argan, Mário Pedrosa, Michelangelo Muraro, Mário Barata, Eero Saarinen, Douglas Haskell, Sergio Milliet, Meyer Schapiro, Tomás Maldonado, Theon Spanudis, Fayga Ostrower, Bruno Zevi, Jorge Romero Brest, entre tantos intelectuais, críticos e artistas, construía amplo panorama de proposições e contribuição crítica para a realização de amplo projeto de síntese, tendo em vista a proposição de “um plano social e cultural de ordem geral”.

Em 2019, além de retomar as discussões apresentadas há sessenta anos por críticos que marcaram o pensamento de sua época, realiza-se mais uma vez a Jornada Abca como manifestação de sua vocação para a produção de conhecimento, tal como pressupõe a dimensão ética do trabalho crítico. Destaca-se também que o tema central da Jornada Abca 2019 abrange a pesquisa e a reflexão interdisciplinar que marcou o Congresso Extraordinário da Aica para em parceria com o Programa de Pós-Graduação Estudos Comparados sobre as Américas (PPG-ECsA/UnB), convidar pesquisadores atuantes nas áreas de Antropologia, Arquitetura, Artes, Educação, Filosofia, História, Museologia e Sociologia, entre outras. O objeto central das discussões propostas para este ano é a atualização das propostas apresentadas em 1959, tendo em vista que “atualizar” não implica na renúncia à pertinência histórica do contexto de produção do projeto de Brasília mas sim situar sua relevância em relação à situação atual da cidade. Seja como metrópole cuja ocupação extrapolou as previsões iniciais, seja como laboratório de experimentação das utopias modernistas, seja como centro de integração geopolítica, Brasília pode ser analisada sob lentes diferenciadas, em diferentes campos disciplinares. Da programação do evento homenageado, destacamos os temas das sessões: A cidade nova, Urbanismo, Técnica e expressividade, Arquitetura, Artes plásticas, Artes industriais, Arte e educação e A situação das Artes na cidade. A esses eixos temáticos acrescentamos reflexões que têm norteado, desde então, pesquisas que ampliam a análise multidisciplinar do espaço urbano, com contribuições que podem incluir, entre outras, as áreas de conhecimento citadas anteriormente.

O debate brasileiro de 1959 tem sido reconhecido como marco significativo da ação internacional da AICA além das fronteiras europeias. Desta forma, o legado da iniciativa de um congresso de tal natureza em 1959 deve ser retomado como oportunidade de diálogo ampliado, abrangendo os desdobramentos de sua conjuntura histórica e contemplando o debate de grandes temas da atualidade. A proposição de um trabalho integrado interdisciplinar na organização de um evento científico que retome o ambiente problematizador daquele momento histórico e projete novas questões no cenário atual pode abrir espaço para a sondagem de zonas críticas, bem como para a configuração de um campo de ação cultural complexo. Neste novo evento é prioritário resgatar as contribuições dos intelectuais que promoveram um denso debate sobre as diversas possibilidades de um projeto latino-americano utópico, que nos dias atuais mantém-se como instigante desafio para refletir a vida social nos centros urbanos.

 

Sobre os palestrantes

Armando Silva, investigador y Profesor Emérito de la Universidad Nacional de Colombia y director del Doctorado en Estudios Sociales de la Universidad Externado de Colombia. Es profesor invitado en universidades de América y Europa. Varias de sus publicaciones tienen traducción al inglés, portugués, italiano, francés y alemán. Algunos de sus archivos de las ciudades imaginadas pueden verse en: www.datos.imaginariosurbanos.net

Eduardo Pierrotti Rossetti é arquiteto e urbanista (FAU/PUC-Campinas/1999); Mestrado (FAU-UFBA/2002); Doutorado (FAU-USP/2007); com Pós-Doutorado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília – FAU-UnB (2008-2009). Professor Adjunto da FAU-UnB, credenciado ao PPGAU-FAU-UnB e membro do LABEURBE. Destaca-se o interesse por história, teoria e projeto, pesquisando: arquitetura moderna, Brasília, patrimônio, arquitetura contemporânea e o morar brasileiro. Autor de diversos artigos e dos livros “Arquiteturas de Brasília” (2012) e “Palácio Itamaraty: a arquitetura da diplomacia” (2017).

Gustavo Lins Ribeiro é Ph.D. em Antropologia, City University of New York (1988). Foi professor titular do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, onde trabalhou por 26 anos. Atualmente é Professor Titular C, na Universidad Autónoma Metropolitana – Lerma (México) e Pesquisador Nível 3 do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CONACYT – México). Publicou 21 livros em português, espanhol e inglês e mais de 180 capítulos e artigos, em 7 línguas, em países de todos continentes sobre temas como desenvolvimento, migração internacional, internet, globalização e antropologias mundiais. Seu último livro publicado no Brasil é “Outras Globalizações. Cosmopolíticas Pós-Imperialistas (Eduerj, 2014).

Lisbeth Rebollo Gonçalves é Presidente da AICA Internacional-Associação Internacional de Críticos de Arte. Vive e trabalha em São Paulo. É Professora Titular da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo. Trabalha em dois Programas de Pós-Graduação : Estética e História da Arte e Integração da América Latina, ambos interdisciplinares e interunidades.Área de especialização: Arte Moderna e Contemporanea, História e Crítica de Arte. Diretora por duas vezes do Museu de Arte Contemporânea da USP (1994-98 e 2006-10) e da Associação Brasileira de Críticos de Arte 2000-06 e 2010-16. Realizou diversas curadorias em Museus e Centros Culturais no Brssil e no exterior. Tem diversos ensaios e livros publicados. Editora correspondente da Revista Artnexus Magazine, desde 1996.

Jacques Leenhardt sociólogo e filósofo suíço. Graduado em Filosofia pela Université de Genève e em Sociologia pela Université Paris-Sorbonne e doutor em Sociologia pela Université de Paris X, Nanterre. Atualmente é diretor da Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales(EHESS) e Presidente de honra da Associaçao Internacional de Críticos de Arte (AICA), Diretor do ‘É.F.I.S.A.L./CRAL e Presidente do Conselho Científico dos Arquivos de Crítica de Arte em Paris.

Vera Beatriz Siqueira é doutora em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999), possui mestrado em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1993) e graduou-se em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1983). É professora associada e pró-cientista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde atuou como vice-diretora do Instituto de Artes, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Artes e do curso de Bacharelado em História da Arte. É membro do conselho editorial da revista 19&20 (revista online). De setembro a dezembro de 2012 foi pesquisadora visitante, em nível de pós-doutoramento, no Getty Research Institute, em Los Angeles, EUA. Entre 2016 e 2017 realizou estágio pós-doutoral no Programa de Pós-graduação em História Social da PUC-Rio. A partir de 2018, assumiu como Coordenadora da área de Artes junto à Capes/Ministério da Educação.

 

Veja mais em: http://abca.art.br/httpdocs/jornada-abca-2019/

 

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