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Exposição

A Via Thorey Galeria apresenta mostra de arte colaborativa

A americana Jill Moser e os brasileiros Fernando Augusto, Cláudia França e Cristhina Bastos expõem o desafio criativo de desenvolver um projeto coletivo com as respectivas propostas individuais.

Almerinda da Silva Lopes – ABCA / Espírito Santo

A mostra que a Via Thorey Galeria de Arte, em Vitória (ES), inaugurou no último dia 20 de setembro, reúne quatro artistas contemporâneos: a americana Jill Moser, que vive e trabalha em Nova York, e três brasileiros, oriundos de diferentes estados brasileiros, mas todos radicados em Vitória, cidade que escolheram para viver e trabalhar: Fernando Augusto, Cláudia França e Cristhina Bastos, sendo que os dois primeiros também atuam como professores da Universidade Federal do Espírito Santo. Detentores de diferentes experiências criativas e trajetórias profissionais, e autores de processos expressivos, meios e linguagens muito pessoais, alguns desses artistas sequer se conheciam até aceitarem o convite para participarem da mostra e o desafio de desenvolverem propostas coletivas ou colaborativas, cujos resultados são apresentados juntamente com as respectivas propostas individuais.

“Como um verdadeiro operário, Fernando Augusto persevera, horas a fio, recluso em seu ateliê, lendo, refletindo e exercitando diariamente seu laboratório criativo…”

Fernando Augusto é formado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde foi aluno de reconhecidos artistas que lhe ensinaram que a base de qualquer processo criativo começa com um desenho conciso, claro e bem estruturado, que funciona como um registro das ideias que se quer exteriorizar. E obviamente que para que isso ocorra, à mão treinada deve estar vinculada a força do pensamento criador. Se a produção do artista é hoje reconhecida no País e no exterior, seu processo reflexivo angariou maior densidade a partir da década de 1990, com o prosseguimento dos estudos acadêmicos, em nível de mestrado e doutorado, realizados em São Paulo.

Sem refutar a referida herança da tradição mineira, pois continua desenhando compulsivamente, em paralelo a essa produção elabora pinturas sobre gigantescos suportes, que durante as últimas décadas foi ganhando cada vez mais espaço, transitando também com desenvoltura por instituições culturais de diferentes estados brasileiros. Se o aumento das dimensões da pintura confirmava a necessidade de expandir a força e a maleabilidade do gesto expressivo, em contraposição, os desenhos se tornariam cada vez mais intimistas, formando arquivos pessoais que raramente foram expostos. Muitos desses desenhos dariam origem, depois, a livros de artista, tendência que nos últimos anos vem ocupando também lugar de destaque na praxe do autor.

Em visita recente ao ateliê do artista, surpreendeu-me a fase atual da produção de Fernando Augusto, em que revitaliza, com a disciplina que lhe é característica, a elaboração de desenhos, debruçando-se, agora, sobre grandes suportes e recorrendo a formas não mais restritas à figura humana e aos objetos. Se antes arquitetava as formas recorrendo a um arcabouço gráfico sintético, mas configurador, o que possibilitava o reconhecimento de referências analógicas em meio a um universo de elementos desconstruídos, nos desenhos atuais abandona o detalhamento das figuras e dá preferência a uma geometria orgânica ou não ortodoxa. Nos desenhos e pinturas anteriores deu preferência aos tons soturnos: preto, azul escuro, marrom; na fase atual procura harmonizar o traçado, e alguns esfumaçados negros, com as cores puras ou menos rebaixadas, o que torna as composições mais vibrantes. Esses desenhos, tanto são apresentados em folhas soltas, como vão formalizando o desenvolvimento de uma ideia, cuja sequência é apresentada em forma de livros, alguns dos quais participam da exposição. Embora não seja intenção do autor criar narrativas, ao reunir as obras dessa maneira entende que as mesmas adquirem maior densidade e sentido. Recorre também a processos híbridos, em que mistura colagens de papeis, madeira e fragmentos de fotografias, que até então faziam parte do arquivo pessoal do artista.

Fernando Augusto, sem título, 2017. Acrílica s/tela, 40 x 50 cm. Fotografia do artista.

Como um verdadeiro operário, Fernando Augusto persevera, horas a fio, recluso em seu ateliê, lendo, refletindo e exercitando diariamente seu laboratório criativo. Com a mesma compulsão criativa, experimenta variados processos, e escritura sobre os suportes com todo e qualquer material que estiver ao alcance da mão. Tal perseverança se reflete em um imenso legado que começou precocemente a circular pelo país, mas nos últimos anos ganhou espaço e reconhecimento também no exterior.

Apresenta em primeira mão, na Via Thorey Galeria, trabalhos das séries mais recentes, constando de desenhos, pinturas sobre papel e livros, em cujas composições destacam-se as formas circulares arquetípicas, que fluem com desenvoltura pelo campo do papel, pulsantes de cor e matéria. Sobre alguns suportes o artista insere também palavras, frases, letras, sendo que esses códigos semânticos, mais do que significar ou formular micronarrativas, têm a finalidade de atrair o olhar e envolver o interlocutor na trama gráfica ou pictórica articulada por ele.

“Todavia, a identidade poética de cada artista é mantida nessas proposições, permanecendo em destaque as pinceladas monocromáticas, de gestos amplos e delicados signos caligráficos de Jill Moser…”

Numa proposta inédita em Vitória, leva para a mostra também alguns trabalhos produzidos em colaboração com a reconhecida artista americana Jill Moser. Embora as suas obras ainda circulem pouco no meio artístico brasileiro, trata-se de autora de uma vasta produção, que inclui desenhos a guache, pinturas, gravuras e monotipias, em suportes de papel ou lona. O encontro entre eles ocorreu em 2015, quando Fernando Augusto realizou uma residência artística no Vermont Studio Center, em Nova York. Essa instituição convida consagrados artistas locais para acompanharem e orientarem o desenvolvimento dos trabalhos dos residentes, sendo Jill Moser uma das colaboradoras.

Fernando Augusto e Jill Moser, sem título, 2015. 57 x 78 cm. Técnica mista s/ papel.

Se até então os dois artistas sequer se conheciam, a identificação de um pelo trabalho do outro foi imediata, surgindo logo a ideia de executarem algumas propostas colaborativas. A experiência resultou em vários trabalhos nos quais hibridizaram desenho, pintura, colagem e monotipia. Todavia, a identidade poética de cada artista é mantida nessas proposições, permanecendo em destaque as pinceladas monocromáticas, de gestos amplos e delicados signos caligráficos de Jill Moser, que se justapõem ou obstruem parcialmente o traçado figural, frases, palavras, letras e números que Fernando Augusto escritura nesse mesmo campo visual. Em outras composições são as colagens, palavras ou letras, de autoria do brasileiro que se impõem à caligrafia mais comedida ou às pinceladas mais amplas, da abstração monocromática da americana.

Fernando Augusto e Jill Moser, sem título, 2015. 52 x 76 cm. Técnica mista s/ papel.

Embora também pinte sobre lona, Jill Moser elegeu o papel como seu suporte preferido, por lhe parecer mais receptivo aos gestos caligráficos rodopiantes. Nos trabalhos mais recentes parece atenuar a força ou a circularidade das pinceladas elípticas dos trabalhos anteriores, substituindo-os por gestos mais contidos, mas que não perdem a agilidade, revelando alguma afinidade com o Expressionismo Abstrato americano. Sobre um campo colorido e chapado espalha tintas ralas ou aguadas de tons suaves, inserindo nesse campo monocromático pequenos signos gráficos, curvos e retos, que parecem remeter à caligrafia oriental. Tais elementos são construídos ora com pinceis finos, ora recorre a pinceis largos e a camadas mais generosas de matéria.

“Se em seus trabalhos Cláudia recorre à apropriação e à eleição de objetos já existentes, os mesmos transformam-se em meros pretextos para a reordenação…”

Cláudia França realizou os estudos acadêmicos em Desenho e Escultura na Universidade Federal de Minas Gerais, na década de 1990, e ao concluí-los ingressava na carreira acadêmica, atividade que dividia com a produção de desenhos e objetos, dando início à trajetória artística. Na década seguinte concluiu o mestrado em Poéticas Visuais, no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, seguido do curso de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Estadual de Campinas, também em Poéticas Visuais. Desenvolve, a partir de então, um arrojado e instigante projeto poético de natureza experimental, em forma de instalações, nas quais hibridiza objetos tridimensionais, tecidos, frases, palavras e delicados desenhos elaborados sempre sobre papeis de fundo branco. Essas instalações híbridas adquirem cada vez maior densidade poética e reflexiva, a cada novo projeto ou desdobramento dos trabalhos anteriores, constituindo um reconhecido e extenso legado, de características e identidade muito peculiares.

Cláudia França, sem título, 1994. 220 x 50 x 80 cm. Tecidos e arames de cobre. Fotos da artista.

A ideia de casa e as relações que se estabelecem no ambiente doméstico tornaram-se recorrentes nas proposições da artista, arquitetadas de maneira inusitada a cada nova remontagem dessas grandiosas instalações, que ocupam muitas vezes vários ambientes do espaço expositivo. Os objetos domésticos fazem parte da maioria das proposições: pratos, jarras, copos, taças, garrafas, garfos, relógios, camas, cadeiras, além de tecidos e roupas brancas dobradas e pilhas de papel branco, sendo apresentados em situações muito distantes das que ocupam no cotidiano. Mas há também outros elementos que percorrem essas instalações, entre eles os delicados desenhos elaborados pela artista, a nanquim e grafite, nos quais ela recria, paradoxalmente, os mesmos objetos que compõem o universo do habitar.

Vista geral da exposição “Espelhos”, de Cláudia França, 1997. Direita para a esquerda: Autorretrato nº2. Tecido, corda e vergalhões, dimensões variadas; Escada. Tecidos e vergalhões, dimensões variadas

Se em seus trabalhos Cláudia recorre à apropriação e à eleição de objetos já existentes, os mesmos transformam-se em meros pretextos para a reordenação, (re) contextualização e transfiguração a que os mesmos são submetidos pela ação e pelo pensamento da autora, ao inseri-los em novas situações. Aborda também questões relativas ao fazer manual, culturalmente relacionado com o trabalho feminino: tecer, bordar, costurar, arrumar, limpar, lustrar, postulando com tais elementos, ou a partir deles, situações e relações geradoras de afeto, delicadeza, proteção, ternura, mas também do trabalho que se estabelece no ambiente doméstico. E ao colocar objetos cortantes ou de vidro em situações instáveis ou que parecem desafiar a lei da gravidade, a artista alerta que a convivência familiar também gera conflitos e desestabilizadoras. Traz assim à discussão questões de gênero, abordando muitas vezes a fragilidade da mulher em relação à posição dominadora do homem, situação que tanto ocorre no ambiente familiar, como atravessa a estrutura social e cultural.

Algumas das instigantes instalações criadas por Cláudia França são formuladoras de paradoxos e dualidades, seja através de incongruências entre os elementos que as constituem, seja ao inserir-se como persona no contexto, representando-se por curiosos espectros ou configurações que ela atesta serem autorretratos. Em uma dessas propostas mais recentes, a artista, arrola uma longa lista de nomes de pessoas com as quais mantém algum grau de afinidade ou que contribuíram de alguma maneira para a sua formação, formalizando a partir deles um inusitado inventário que não deixa de remeter à sua própria identidade, mas também à memória e à ideia de alteridade. Dialoga, ainda, com a obra Todos os nomes, de autoria de um de seus lustros literários, José Saramago, ao criar um inusitado fichário ou arquivo, tão caro a inúmeros artistas contemporâneos. Para consultá-lo o espectador deveria abrir uma sopeira de porcelana, cuja tampa era formada por uma corrente de colheres, no interior do qual esse fichário foi depositado.

Na coletiva da Via Thorey Galeria, Cláudia apresenta trabalhos da série Albinas, elaborados com materiais orgânicos, em planos superpostos formulados com tecidos de fibras sintéticas brancas e papeis, lembrando cadernos, cujos planos são interligados por estruturas de acrílico ou vidro. Estabelece conexão entre essa série e alguns trabalhos anteriores, em que recorreu a emblemáticas escadas brancas, as quais se instituem como elementos iterativos, uma vez que atravessam diferentes proposições da autora. Construídas fragilmente de papel ou de tecido rendado, pela posição que essas escadas ocupam nos espaços expositivos não deixam de ser um recurso capaz de ativar a imaginação e incitar a ideia de fuga. A conexão entre uma obra e outra e o trânsito que empreendem determinadas objetos, ao frequentarem diferentes instalações, configuram um enredamento labiríntico, que não deixa de remeter à praxe formulada por Marcel Duchamp.

Mas, numa relação de alteridade, Cláudia e Cristhina aceitaram o desafio de construir um trabalho coletivo, o que implica, obviamente, compreender e aceitar as diferenças…”

A carioca radicada em Vitória, Cristhina Bastos se apresenta na mostra com objetos da série Casulos. Iniciada há algum tempo, a série foi se modificando e agregando, continuamente, novas formas, processos e materiais. Iniciou a carreira artística, depois de formar-se em Pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também cursou Arquitetura e se especializou em Urbanismo. Se até a década passada se identificava como pintora, nos últimos anos passou a desenvolver trabalhos tridimensionais, que a artista denomina de casulos. Construídos inicialmente apenas com tramas de fios de algodão ou nylon e reveladores de uma artesania peculiar ao fazer feminino, as formas eram pouco diversificadas e possuíam dimensões mais intimistas, distinguindo-se umas das outras pelas dimensões e pelas cores dos fios com que a autora confecciona as tramas.

Essa produção angariou maior consistência depois que a artista, como participante de um projeto patrocinado pelo Instituto Sincades, que tive a honra de coordenar, recebeu orientação de uma das mais reconhecidas e audaciosas artistas contemporâneas, a mineira radicada no Rio de Janeiro: Iole de Freitas. E não deixa de ser gratificante constatar que o investimento deu alguns bons frutos, como revelam as novas pesquisas de materiais e a invenção de novos modos de unir e expor os casulos criados por ela, mais recentemente.

Cristhina Bastos, sem título, 2016. Fios de cobre, alumínio, nylon e vergalhão de ferro. Dimensões variadas. Foto da artista.

As tramas passaram a ser construídas por camadas superpostas, recorrendo a fios de arame de cobre, latão, alumínio e nylon. Os casulos assumem também novas configurações formais, se diversificam, expandem-se, ganham maleabilidade e dinâmica, afilam-se, alongam-se, fecham-se, abrem-se, explodem, revelam sua constituição física ou a ossatura material. Também chamam atenção novas soluções encontradas pela artista para enredar ou unir os casulos uns aos outros, recorrendo a estruturas de arame e vergalhão de ferro soldado, o que lhe permitiu criar estruturas, contínuas para fazer os objetos se esparramarem pelo espaço, em diferentes posições e alturas, assumindo assim maior liberdade e organicidade.  Se até então, os casulos eram quase sempre pendurados, individualmente, presos às paredes ou pendendo dos tetos, o que inevitavelmente remetia a luminárias, a experiência angariada e a recorrência a novos recursos permitiu que Cristhina adquirisse não apenas maior ousadia na maneira associar e de expor os trabalhos, mas também diversificou as relações que os próprios casulos estabelecem entre si.

Facilmente se constata que os projetos criativos das duas últimas artistas são conceitual e poeticamente muito diferenciados, sem contar que até receberem o convite para exporem na Galeria, uma sequer conhecia o trabalho da outra. Mas, numa relação de alteridade, Cláudia e Cristhina aceitaram o desafio de construírem um trabalho coletivo, o que implica, obviamente, compreender e aceitar as diferenças entre as respectivas propostas, e na reestruturação do pensamento para lidar com o novo. O resultado final é bastante surpreendente, além de confirmar que essa parceria não as desviou de suas próprias concepções poéticas e conceituais, mas foi preciso ajustar, reinventar e reordenar ideias diferentes ou até divergentes em uma mesma proposição, pensada e executada coletivamente. Tanto é assim que se reconhece a linguagem e o processo expressivo de cada uma das artistas impresso em uma microinstalação, cujo elemento central é uma insólita cadeira, em torno da qual se articula o conceito da proposta.

Esse objeto, apresentado na mostra, foi construído com madeira reciclada e fragmentos de antigas cadeiras, a cujos pés se conectam as tramas artesanais elaboradas com fios de metal e corda por Cristhina Bastos. Com tais elementos, esta formulou as formas orgânicas que rastejam com maleabilidade pelo espaço, sugerindo movimentar a frágil cadeira. A conexão entre esse objeto e as peças do mobiliário que formulam a ideia de “casa móvel”, que habita o processo imaginário de Claudia França, não parece ser mera coincidência. Mas é no empilhamento de papeis brancos sobre o assento da cadeira, que logo se reconhece a linguagem poética da artista, que transparece na delicadeza dos materiais e na articulação conceitual que, de longa data, marcam presença em suas instalações. Se as folhas brancas apontam para a ideia de corpo ausente, ao posicionar uma bengala sobre a pilha de papeis, estabelece a dualidade presença/ausência. A bengala mantém impregnada em seu corpo material as marcas do tempo e a ideia de pertencimento, imbricando, assim, uma torrente de memória que também parece enredada na trama/rede conectada aos pés da cadeira.

Se esses quatro artistas desenvolvem projetos poéticos que atestam uma coerente liberdade e individualidade plástica, a proposta de produzirem e mostrarem trabalhos colaborativos propiciou momentos de inquietação para lidar com o inusitado, mas também de reflexão, de análise e crítica, necessários à obtenção de um resultado revelador e de descoberta, empatia, compreensão, doação, altruísmo e compartilhamento. Essa relação de alteridade, que se reflete nas propostas apresentadas na exposição que a Via Thorey disponibiliza ao público, nas últimas décadas tem se revelado como uma tendência recorrente nas propostas dos artistas contemporâneos. Estes, mais que produzirem trabalhos racionalistas, de resistência política, ou que reflitam sobre a violência e a barbárie, parecem tentar reintroduzir algum tipo de emoção na arte, vocação que tem sido reconhecida e discutida por emblemáticos teóricos de nosso tempo, entre eles Gilles Deleuze e Didi-Huberman, para os quais a “emoção substitui a explicação racional”, porque “a emoção não diz ‘eu’, sabendo que há mais intensidade em dizer ‘ele’”[1].

[1] Gilles Deleuze, apud: G. Didi-Huberman, “La emoción no disse “yo”. Diez fragmentos sobre la libertad estética. Santiago de Chile: Metales Pesados, 2008, p. 46-7.

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