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n° 43 – Ano XV – Setembro de 2017  →   VOLTAR

Artigo

Santa Catarina na Bienal Internacional de Curitiba

Cerca de 57 artistas da região estarão expondo suas obras no Museu da Escola Catarinense e Fundação Cultural BADESC.

Sandra Makowiecky – ABCA / SC

Em novembro de 2016, a ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte, realizou um evento denominado – Jornada ABCA Florianópolis 2016 – “Gestores e Críticos: Interfaces”. O evento foi realizado no Museu da Escola Catarinense, contando com a presença de gestores de centros culturais, críticos, curadores, e pesquisadores atuantes no meio artístico e acadêmico, com a meta de enfatizar as articulações do circuito de arte, entendendo o espaço de pensar a obra, colocá-la em interlocução, reconhecendo nela seu valor cultural e de mercado. Destinava-se também a fomentar uma rede de visibilidade e interlocução entre os Estados do Sul, bem como reconhecer o que e de que modo está sendo construída a memória da história, teoria e crítica de arte no meio brasileiro, notadamente no sul do Brasil.

Um dos palestrantes convidados foi Luiz Ernesto Meyer Pereira, Diretor Geral da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba. Na ocasião, foi mencionada a possibilidade de uma participação de SC, com uma extensão da Bienal, no Museu da Escola Catarinense, com possíveis derivações. Em maio de 2017, o convite foi formulado à Sandra Makowiecky que compôs equipe curatorial com Francine Goudel e Juliana Crispe.

De 30 de setembro de 2017 a 25 de fevereiro de 2018 a Bienal de Curitiba tomará diversos espaços da cidade de Curitiba, trazendo obras de centenas de artistas internacionais e nacionais. Sob o conceito Antípodas, essa edição terá a China como país homenageado e realizará a maior exposição de arte contemporânea chinesa já apresentada na América Latina. E como novidade, terá uma extensão em Santa Catarina.

Assim, um polo catarinense, com artistas catarinenses, para a Bienal Internacional de Curitiba foi articulado em Florianópolis, pretendendo compreender as instalações do Museu da Escola Catarinense – MESC e a Fundação Cultural BADESC, entre os dias de 30 de setembro de 2017 a meados de novembro de 2017. O Polo SC estará presente no catálogo geral da Bienal. A organização, concepção e curadoria foram definidas com base no tema da Bienal de Curitiba.  Será a primeira vez que uma Bienal se faz presente em solo catarinense, graças a atuação da ABCA, contribuindo para a visibilidade de artistas que atuam ou são de Santa Catarina.

A Mostra no MESC _ Antípodas Contemporâneas

A seleção de obras e artistas nesta mostra parte do texto curatorial de Ticio Escobar e do título desta Bienal: “Antípodas”, escolhido para indicar metaforicamente pontos geográficos radicalmente distantes uns dos outros. A China, país homenageado desta Bienal, marca um ponto extremo em relação aos países latino americanos. No entanto, a cultura, especialmente em suas manifestações artísticas, tem a possibilidade de criar vínculos e traçar diagramas entre os lugares mais distantes. A imagem é, por antonomásia, um dispositivo capaz de unir pontos distantes. A ideia de diversidade, um dos pontos centrais desta bienal, é reforçada através da vinculação de zonas e situações opostas que coincidem sem arriscar suas respectivas diferenças. Partindo desta ideia criou-se na mostra MESC, a partir de seu prédio fundado em 1920, dez eixos temáticos para pensar as “antípodas contemporâneas”. Estes eixos se articulam como relações antípodas, ou seja, cada um deles estabelece dois temas dicotômicos entre si: Exposição x Privacidade em perigo / Lembrança x Esquecimento / Paisagem possuída x Paisagem bruta / Cidades da alma x Cidades de abandono / Noções de herança x Rejeição à história / Corpo x Incorporais / Registros pessoais x Registros coletivos / Solidão x Multidão / Infância x maturidade / Hiperreal x Irreal.

Os 20 artistas catarinenses ou com produção em Santa Catarina foram convidados a articular uma proposta para o tema. Os temas dos eixos, mesmo que conceitualmente se refiram a posições diametralmente opostas entre si, carregam em si o seu outro lado, ou seja, não há como pensar em um dos lados, sem pensar no outro que lhe complementa. O “X” entre os temas, entre os artistas, não seria um contrapondo a outro, mas configuraria um pensamento conjunto, um reforço, onde a potência de pensarmos nestas “antípodas contemporâneas” se dará na impulsão dos trabalhos conjuntos. Os artistas são: Cássio Markowski, Diego De Los Campos, Dirce Korbes, Fê Luz, Fran Favero, Glaucia Olinger, Itamara Ribeiro, Jairo Valdati, Janaina Schvambach, Jandira Lorenz, Janor Vasconcelos, Juliana Hoffmann, Karina Zen, Lela Martorano, Priscilla dos Anjos, Raquel Stolf, Rodrigo Cunha, Sérgio Adriano, Silvana Macedo e Susano Correia.

Mostra no BADESC

A seleção de obras e artistas nesta mostra parte do texto curatorial de Ticio Escobar e do subtítulo desta Bienal, “Excesso de imagem”, que faz referência ao fenômeno contemporâneo da pós-fotografia. A produção de imagens digitais é hoje superior à capacidade de sua recepção e uso. A visão é confrontada com um excesso de informação visual que ultrapassa sua capacidade de assimilação. Esta situação é enfrentada pela arte contemporânea através de várias estratégias que superam o meio fotográfico convencional e exigem soluções para além da fotografia – o que poderia ser qualificado como “fotografia expandida”, atravessada por diferentes técnicas e baseada em reforços conceituais variados. A ideia de diversidade, outro ponto central desta Bienal, é reforçada através da vinculação de zonas e situações opostas que coincidem sem arriscar suas respectivas diferenças. Considera a diversidade das expressões, tendências e linguagem, que possibilita a articulação da fotografia com processos amplos, de composição, conceito, imagem.

Na mostra do BADESC, partindo desta ideia, convidamos 37 artistas catarinenses ou com produção em Santa Catarina, que desenvolvem em sua produção como linguagem ou base de princípio do processo, a fotografia. As articulações que aqui idealizamos pretendem pensar a fotografia através de seu potencial conceitual, expressivo, crítico e poético, onde o medo de contaminar a pureza formal da imagem se perde e o trabalho se converte em um meio de expressão contingente. Nesta mostra as obras configuram estes territórios híbridos e fronteiriços da fotografia, que com seu excesso de imagem proporcionam a reflexão dos temas aqui suscitados.

Artistas convidados: Ana Sabiá, Andressa Orozco, Audrian Cassanelli, Carlos Franzói, Chay Luge,  Clara Fernandes, Claudia Zimmer, Coletivo Toca, Daniele Zacarão, Diana Chiodelli, Fabíola Scaranto, Fernando Weber, Henry Goulart, Iam Campigotto, Ieda Topanotti, Ilca Barcellos, Janaína Cora, Joana Amarante, Karina Segantini, Kim Coimbra, Letícia Cardoso, Lilian Barbon, Lu Renata, Luciana Petrelli, Maria Eduarda Müller, Maria Lucila Horn, Marina Moros,  Marta Martins, Neusa Milanez, Nilton Tirotti, Ramón Moro Rodríguez, Rosana Bortolin, Sandra Alves, Sandra Correia Favero, Sarah Uriarte, Sonia Loren e  Yara Guasque.

Equipe de curadoria SC

Sandra Makowiecky -Professora de Estética e História da Arte do Centro de Artes da UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis – Santa Catarina. É membro da Associação Internacional de Críticos de Arte – Seção Brasil Aica UNESCO.

Francine Goudel – Doutoranda em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Atualmente dirige a Lugar Específico [ww.lugarespecifico.com], uma plataforma especializada em serviços para Artistas Visuais e Circuito de Arte Contemporânea.

Juliana Crispe – Artista Visual, Pesquisadora, Professora, Arte-educadora e Curadora. Pós-Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina. Coordena, desde sua criação em 2011, o Projeto Armazém, que tem por objetivo a circulação e a comercialização de trabalhos de arte em formato de múltiplos e publicações de artista, de pequenas e grandes tiragens.

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