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n° 42 – Ano XV – Junho de 2017  →   VOLTAR

Destaque

Uma noite dedicada ao tradicional Prêmio ABCA

A ABCA reconhece a dedicação, o talento e a criatividade dos que se destacaram na arte brasileira em 2016.

Alecsandra Matias de Oliveira – ABCA / SP

O ano de 2016 não foi fácil para ninguém, não é mesmo? Desesperança política, ações despóticas, corrupção a olhos vistos e incertezas econômicas marcaram com intensidade o calendário, mas também as discussões acirradas, a luta e a resistência não foram valores esquecidos. E não há campo mais resiliente e combativo do que o da arte. Nele, desaprendemos as obviedades que são atribuídas ao cotidiano; somos instigados; estimulados aos sentidos e, assim reorganizamos novos modos de vida.

Essa negociação constante entre arte e vida é incentivada por agentes imprescindíveis: artistas, críticos, produtores e instituições. Todos eles são os resistentes – os que insistem em fazer arte num momento tão difícil para a cultura brasileira. Para esses, combatentes nada mais justo do que o reconhecimento dos seus pares pelo trabalho realizado em 2016: o Prêmio ABCA.

Para alguns, a cerimônia de premiação é a remissão de todos os seus esforços, mas, para outros, ela é a oportunidade do encontro entre velhos e novos amigos; entre críticos de antigas e novas gerações e, entre produtores de arte de todas as regiões do país. Somados a todos os seus significados particulares, os fatores que motivam indicados, premiados, destaques e homenageados são o “amor à arte” e a “paixão pelo conhecimento artístico”.

Todas essas emoções estavam no preâmbulo da cerimônia. Vividas ali, 30 minutos antes da abertura, no café oferecido no hall do acolhedor auditório do SESC-Vila Mariana. Quando tudo começou, então, as palavras-chaves eram: reconhecimento, sensibilidade e resistência.

A charmosíssima Laura Wie nos conduziu por toda solenidade. Ex-aluna de Elza Ajzenberg e Lisbeth Rebollo Gonçalves, nossa mestre de cerimônia tem grande aproximação com o mundo das artes e nos cativou durante as ações sucessivas do evento. Seguida às palavras dos anfitriões da noite (representantes do SESC e de Maria Amélia Bulhões, presidente da ABCA), a apresentação do Duo Siqueira Lima deu-nos ocasião mágica. Inesquecível a sintonia da dupla executando Tico Tico no Fubá em apenas um violão. Já nos primeiros momentos, o sensível dava provas da sua permanência entre os presentes.

As reverências às contribuições dos críticos de arte e de literatura, Ferreira Gullar e Antônio Candido, recentemente falecidos, deram o tom de gratidão à noite. O “pequeno milagre” – troféu desenvolvido por Maria Bonomi, em 2016, mais uma vez materializou a essência da premiação e da função da crítica de arte. Ele brilhou nas mãos de críticos membros da ABCA que fizeram as entregas solenes e, mais ainda nas mãos dos premiados, destaques e homenageados.

Seguiram-se as premiações regulamentares: Raul Córdula, Mirian de Carvalho (representada por Daisy Peccinini), José Rufino, Justo Werlang, Tadeu Chiarelli, Abraham Palatnik (representado por seu filho), Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, o SESC (Serviço Social do Comércio), Francisco Brennand (representado por sua filha), o Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo e seu representante Silas Martí. Os discursos apontavam para a gratidão, para os árduos tempos vividos e para satisfação de ver a arte subvertendo essa realidade.

O troféu destaque destinado a artistas e instituições que, com sua trajetória, contribuem para a história da arte brasileira, foi atribuído para: Giselle Beiguelmann (representada por seu esposo e sua filha), o artista Antonio Carelli, a galeria Pinakotheke representadas por Max Perlingeiro e Max Morales. Num espaço para destaques, merece relevância a carinhosa salva de palmas destinada a Antonio Carelli. Indiscutivelmente, um instante de recognição.

Na última seção, os homenageados foram: Maria Helena Andrés (representada por sua filha), Gontran Guanaes (representado pelo artista plástico Fábio Ribeiro) e Juarez Paraíso (representado pelo artista e crítico de arte Cesar Romero). Das trajetórias guerreiras desses artistas plásticos e, simultaneamente, educadores, nasceram discursos de agradecimentos fortes e afetuosos.

Por fim, mais uma vez, no seu contexto geral, a premiação ABCA reafirmou valores inerentes ao universo da arte: a sensibilidade, a gratidão, o reconhecimento dos esforços e da luta dos resistentes e, acima de tudo, o poder de transgredir o pré-estabelecido e de resistir às intempéries a cada nova iniciativa.


Luiz Galina, diretor geral do Sesc abre a cerimônia (esquerda)
Maria Amélia Bulhões, presidente da ABCA (direita)


Grupo musical Duo Siqueira Lima de violões (esquerda)
Raul Córdula recebe o prêmio Gonzaga Duque entregue por Lisbeth Rebollo Gonçalves (direita)

 
Daisy Peccinini representa Miriam Carvalho no prêmio Sérgio Milliet. O crítico Percival Tirapelli faz a entrega  (esquerda)
José Rufino recebe o Prêmio Mário Pedrosa das mãos de Sylvia Werneck(direita)

 
Justo Werlang recebe o Prêmio Ciccilo Matarazzo entregue por Maria Amélia Bulhões (esquerda)
Tadeu Chiarelli recebe o prêmio Mário de Andrade das mãos de Roberto Teixeira Leite(direita)

 
Beny e Elisa Palatinik, representam o pai Abraham Palatinik, homenageado com o Prêmio Clarival do Prado Valadares.  A crítica Ana Maria Belluzo faz a entrega (esquerda)
Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes recebem o prêmio Mário Pedrosa entregue por Sandra Makowieck (direita)

 
Fernando José Almeida representa o Departamento Nacional do Sesc e a vice presidente da ABCA, Cláudia Fazzolari entrega o prëmio Rodrigo Mello de Andrade (esquerda)
O representante do Santander Cultural, Carlos Trevi,  e a filha do artista Francisco Brennand, Conceição Brennand,  recebem o prêmio Paulo Mendes de Almeida. A crítica Sandra Rey entrega (direita)


Silas Marti, jornalista do Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo recebe o prêmio Antonio Bento. A crítica Isis Braga entrega

TROFÉU DESTAQUE


O marido, Nelson Brissac, e a filha Maya Messina recebem o prêmio de Gisellle Beiguelman. A crítica Leonor Amarante entrega (esquerda)
Antonio Carelli recebe o troféu entregue por João Spinelli (direita)


Max Perlingeiro e Max Morales recebem o troféu entregue por Leila Kiyomura (esquerda)
O crítico Morgan da Motta entrega Homenagem à Marília Andres Ribeiro, representante de Maria Helena Andrés (direita)

TROFÉU HOMENAGEM

 
Marilia Andrés recebe o troféu representando a mãe, Maria Helena Andrés. O crítico Morgan da Motta entrega (esquerda)
O artista Fábio Ribeiro representa o artista Gontran Guanaes. O troféu é entregue por Alecsandra Matias (direita)


César Romero recebe o troféu pelo artista Juarez Paraíso. A crítica Marisa Bertoli entrega

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