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n° 40 – Ano XIV – Dezembro de 2016  →   VOLTAR

Exposição

Schwanke em trabalhos inéditos

Duas instituições se unem, em Santa Catarina, para apresentar 89 obras do artista joinvilense

Néri Pedroso – ABCA/Santa Catarina[1]

Schwanke diante da obra Sem Título (1989), criada com galões de plástico e ferro – Foto: Acervo Família Schwanke

A Fundação Cultural Badesc abriga em Florianópolis (SC), até 16 de março de 2017, a exposição Schwanke, Habitar os Incorporais, que reúne 89 trabalhos do artista Luiz Henrique Schwanke (1951-1992). A iniciativa é uma parceria entre a Fundação Cultural Badesc e o MAC/Instituto Schwanke, cuja sede fica em Joinville. Entre as décadas de 1970 e 1980, o artista construiu uma produção vasta e vigorosa com cinco mil peças entre desenhos, pinturas, instalações, esculturas e projetos. Recebeu cerca de 30 prêmios nacionais e participou de inúmeras exposições individuais, coletivas e salões. Suas obras integram acervos de museus de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis.

No recorte curatorial da professora e doutora Rosângela Miranda Cherem, trabalhos nunca expostos em Florianópolis como a instalação Claro-escuro (1990) composta de plotagem, ferro, 24 spots de luz e 24 espetos, e os Sem Título, criados entre 1988 e 1991, apelidados como mandala, perfis, maletas, pregadores de roupas, cuja matéria-prima é o plástico. A seleção inclui também a chamada fase das revisitações, em que o artista descontrói a referência original de telas de Georges La Tour, Antonio Canova e Leonardo da Vinci, entre outras, adotando signos do design contemporâneo. O público também pode apreciar desenhos e pinturas de diferentes fases, como os sonetos, os Cristos e os shorts.

Claro-escuro, obra de 1990 (3×2,03x1m) em que o artista usa plotagem, ferro, 24 spots de luz e 24 espetos de churrasco – Foto: Acervo Família Schwanke

Mandala (1989) tem 1,5m de diâmetro e é feita com plástico e madeira – Foto Néri Pedroso

Pintura de Schwanke realizada em 1985 e catalogada na série Cristos – Foto: Acervo Família Schwanke

Idealizado como uma proposta de land art, Cobra Coral é outro trabalho nunca visto na Capital. Criado em 1989 para ser colocado, entre outros lugares, na ilha Feia de Piçarras (SC), o mais alto possível, e na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, é a quinta montagem da obra que está no jardim da Fundação Cultural Badesc. Antes disso, em anos distintos, esteve em Jaraguá do Sul (SC – 2002 e 2009), em duas ocasiões, em São Paulo (2003), em Curitiba (PR – 2010) e em Joinville (SC – 2012).

Cobra Coral (1989) tem 30 metros, está no jardim e compõe-se de plástico e ferro – Foto: Néri Pedroso

Desde 1994, quando a mostra Vida Schwanke Vivo ocorreu no Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), Florianópolis não recebia um conjunto tão expressivo da produção do joinvilense que se alinhou a diferentes correntes e linguagens, da pop art ao neo-expressionismo, concretismo, construtivismo e ao minimalismo. Como poucos em Santa Catarina, embaralhou arte e ciência, tempo e espaço, luz e ausência, transparência e luminosidade.

Além de estudos individuais de Rosângela Cherem, a curadoria é um desdobramento do curso Schwanke, Arquivo, Interlocuções e Desdobramentos, realizado  no segundo semestre no Instituto Schwanke em Joinville. Ao lado de 15 alunos de três Estados do Sul do Brasil, a pesquisadora mergulhou na produção do artista a partir da singularidade de seu repertório e arquivo. Em 40 horas, a análise dos paradoxos contidos nos trabalhos, as filiações e pertencimentos inscritos na história da arte, as experimentações que reverberam na produção. Na combinação de leituras teóricas, Michel Foucault, Georges Didi-Huberman e outros historiadores, críticos e filósofos, como Gilles Deleuze, Walter Benjamin, Giorgio Agamben e Jacques Lacan, a mostra Schwanke, Habitar os Incorporais situa o artista na clave do incorporal, o que para “os estóicos era tudo aquilo que não podia ser medido ou pesado, quantificado ou que ocupasse lugar”. Cherem pensa trajetória e produção naquilo “que sempre volta e no que sempre escapa, era lá que ele estava. A essa dimensão do mundo pertenciam o sonho e a memória, a obstinação e a imaginação, o tempo e o próprio pensamento, sendo que na sua condição de incompletude e inapreensão seguiram constantemente frequentados e revisitados. Se a tarefa da arte é aproximar-se das forças heteróclitas e inexprimíveis, imponderáveis e incongruentes que existem no mundo, se a arte vive em zonas inextensas e indeterminadas, então podemos dizer que a matéria artística se refere aos incorporais”.

Serviço

Mostra “Schwanke, Habitar os Incorporais”, na Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, tel.: (48) 3224-8846. Entrada franca. Até 16.3.2017, segunda a sexta, 12h às 19h

Quando: Até 16.3.2017, segunda a sexta, 12h às 19h

Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, tel.: (48) 3224-8846

Quanto: Gratuito

Realização: MAC/Instituto Schwanke e Fundação Cultural Badesc

Saiba mais: http://fundacaoculturalbadesc.com/ e www.schwanke.org.br

[1] Jornalista, vice-presidente do Instituto Schwanke.

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