EDIÇÃO ATUAL
EDIÇÕES ANTERIORES

n° 40 – Ano XIV – Dezembro de 2016  →   VOLTAR

Destaque

XLIX Congresso Internacional AICA em Cuba reúne 50 países

Sediado na cidade de Havana, a programação propiciou um encontro notável e uma oportunidade histórica de colocar a associação entre as forças que animam o intercâmbio cultural entre críticos e curadores cubanos e seus parceiros de outras localizações

Cláudia Fazzolari – AICA/Brasil

Cuba, outubro de 2016, data histórica para a Associação Internacional de Críticos de Arte

XLIX Congresso AICA. Nuevas utopías: arte, memória y contextos. Museo Nacional de Bellas Artes, La Habana, Cuba

O XLIX Congresso Internacional AICA realizado em outubro último, na cidade de Havana, em Cuba, contou com participantes de cerca de cinquenta países em um encontro notável, seja pela experiência caribenha de uma semana de intensos debates sobre o estado atual da crítica de arte, seja pela oportunidade histórica de colocar a associação entre as forças que animam o intercâmbio cultural entre críticos e curadores cubanos e seus parceiros de outras glocalizações.

O programa do congresso, em cinco dias de intenso trabalho, propondo um panorama de leituras críticas sobre “Novas utopias: memória, arte e contexto”, trouxe o curador Robert Storr como orador principal, na abertura do evento.

Storr, crítico de arte e curador da 52ª. Bienal de Veneza, tratou de um itinerário de múltiplas convivências e embates promovidos na cena contemporânea. Na sequência das atividades; Hilary Robinson, professora de Cultura Visual na Middlesex University, Londres; Yolanda Wood, crítica de arte e fundadora do Departamento de História da Arte do Caribe na Universidade de La Habana e Damian Smith, diretor de Words For Art acrescentaram importantes contribuições aos debates com suas conferências, sempre moderadas por Niilofur Farrukh, organizadora da I Bienal de Karachi, 2017 e membro AICA Paquistão.

O andamento do programa trouxe Jorge Fernández Torres, crítico de arte, diretor do Museo de Bellas Artes de La Habana e membro da equipe de curadores da Bienal de Havana, como orador principal da mesa de trabalhos da sessão seguinte com uma abordagem sobre a utopia, seus ideais liberdade e as formas de reversão de condicionantes de poder tão presentes na atualidade.

Também convidados à dinâmica de debates incorporados ao congresso, seguiram-se as participações de Cristina Freire, curadora e docente pesquisadora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, MAC/USP; Michael Asbury, membro fundador do Centro de Investigação para a Arte Transnacional, Identidade e Nação (UAL) em Londres e Antonio Eligio Fernández Tonel, crítico de arte e artista presente em edições das Bienais de Havana, São Paulo, Berlim e Veneza. Para moderar a mesa de trabalhos, Dannys Montes de Oca, curadora do Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam e membro AICA, Cuba, estabeleceu interlocução com os itinerários críticos propostos pelos palestrantes criando estratégias para expansão dos temas.

Grande atenção gerou na cerimônia inaugural do congresso a entrega do Prêmio Internacional AICA, 2016 para a crítica de arte cubana Adelaida de Juan pela trajetória de sua obra dedicada à arte latino-americana, que agora contará com a publicação de uma antologia de seus textos apoiada pela Associação Internacional de Críticos de Arte.

Merece todo destaque o esforço dos membros da seção cubana – presidida pelo curador e crítico  David Mateo – na promoção de um verdadeiro clima de integração entre os participantes, que puderam, em visitas aos equipamentos culturais da capital cubana, conhecer artistas, seus projetos e compreender melhor as convicções que movem tais processos de criação.

Também deve ser feita menção à extraordinária mesa organizada no Centro de Arte Contemporánea Wifredo Lam sobre as Bienais de Havana. Curadores membros da equipe que acompanha os destinos da Bienal de Havana há mais de três décadas fizeram um elaborado panorama de edições que, investigando a condição local, os debates centro/periferia e as práticas artísticas integradas aos imaginários sociais, fundamentaram as intencionalidades de cada mostra.

Desta forma, o capitulo cubano da AICA registrou uma histórica façanha com a organização de um congresso em Havana, restabelecendo sua presença como sessão nacional em atividade e lançou um desafio para os próximos encontros internacionais: que venham muitos outros latino-americanos.

[Esq.] Nuevas utopías: arte, memória y contextos. Marek Bartelik, presidente AICA, Marjorie Allthorpe-Guyton, Secretária Geral, Mathilde Roman, Tesoureira da associação na abertura do congresso, Museo de Bellas Artes de La Habana, Cuba. [Dir] Robert Storr, curador e crítico de arte na conferência de abertura.

[Esq.] Conferência de Jorge Fernández, diretor do Museo de Bellas Artes de La Habana, curador da Bienal de Havana. [Dir.] Palestra de Cristina Freire, docente pesquisadora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP.

n° 40 – Ano XIV – Dezembro de 2016  →   VOLTAR

Deixe uma resposta