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Ateliê

Um novo espaço cultural em Belo Horizonte

O Centro de Arte Fernando Pacheco está localizado na Pampulha e apresenta as múltiplas faces do artista em um espaço aberto para a música, dança, teatro, cinema e literatura

Yara Tupinambá – ABCA/Minas Gerais

Detalhe do painel VOAR, de Fernando Pacheco, instalado em 2006 no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte – Confins

É na Pampulha, bairro histórico de Belo Horizonte, onde se abriga a arquitetura de Niemeyer enriquecida pelas obras de Portinari, Ceschiatti, José Pedrosa e Zamoiski, que se situa um novo espaço cultural de Belo Horizonte: o Centro de Arte Fernando Pacheco.

Para se entender o espaço é preciso, primeiro, conhecer o artista que Fernando Pacheco é. Com uma longa trajetória ligada às artes plásticas o artista sempre foi múltiplo em sua atividade artística: curador de exposições, participante de numerosas mostras coletivas e individuais, criador de performances e instalações e, agora, toda esta diversidade de ações se completa com a criação do Centro de Arte Fernando Pacheco, onde abriga o atelier, a galeria com obras de períodos diversos, o espaço multimídia, onde realiza encontros de músicos e escritores, e o Espaço de Memórias. Neste abriga uma boa biblioteca de arte, catálogos de salões e de artistas brasileiros, livros sobre sua obra e de outros artistas mineiros e brasileiros, roupas estampadas com seus desenhos pelo estilista Victor Dzenk e pequenos objetos de outros artistas. Ali encontramos duas de suas instigantes e irônicas instalações: a tesoura grande devora as tesourinhas e o sofá/cama do caçador, além de seus livros de autor, onde cria e interfere em livros antigos.

Sua longa carreira, já com quatro livros editados sobre sua obra e diversas exposições, como no Palácio das Artes e Casa Fiat em Belo Horizonte, além de numerosas mostras individuais e coletivas fora do Estado, se completa, agora, com o convite para estadia na China e Nova Zelândia, para onde vai produzir, expor e vender, assim marcando sua presença no mercado internacional.

Sua maior virtude, como artista, foi ter se conservado fiel a uma figuração expressionista que enriqueceu, ao longo do tempo, mas permanecendo fiel às suas característica próprias: uma pintura muito solta de manchas e grafismos, o uso de cores vivas em escalas de oposições e o uso de alguns símbolos que marcam seu pensar: o pianista, os “olheiros” que, de olhos bem abertos, veem o passar da vida, seus cachorros, e seus “olhos voadores” de um artista que, através deles, vê o mundo. Seus símbolos são sempre metáforas sobre seu próprio universo interior.

É neste espaço onde já recebeu músicos e suas apresentações, poetas e suas leituras, e escolas públicas que ali vão ter um primeiro contato com a arte, que Fernando elabora seu pensamento sobre tudo que o cerca. Confirma, assim,  o dizer de Erza Pound: “O artista é a antena do mundo”.

Fernando Pacheco e o seu espaço de criação

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